Resumo
Ao longo dos anos, o potencial aumento na industrialização, agricultura e produção animal ocorreu para atender à crescente demanda por alimentos devido ao aumento do tamanho da população no mundo. No entanto, esse aumento geralmente não está associado ao fornecimento de alimentos livres de poluentes aos consumidores. No Brasil, a agricultura é um pilar econômico que tem experimentado um crescimento exponencial nos últimos anos. Pesticidas, como glifosato, 2,4-D e atrazina, constituem um fator importante para a viabilidade dessa grande produtividade agrícola; no entanto, eles fazem do país um dos maiores consumidores de pesticidas do mundo. Resíduos de pesticidas e poluentes ambientais legados, como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs) e substâncias per- e poli-fluoroalquil (PFAS), são frequentemente detectados em alimentos e são uma preocupação crescente para a saúde humana e ambiental. Pesticidas são rotineiramente aplicados às plantas para controlar pragas e melhorar a produtividade das colheitas. Enquanto isso, o processamento de alimentos pode contaminar com HPAs, que são produzidos pela combustão incompleta de material orgânico. Os PFAS são onipresentes na vida cotidiana, pois são amplamente utilizados em embalagens de alimentos e produtos repelentes de água como o "Teflon". Nesse sentido, a adoção de programas de avaliação sistemática da composição química dos alimentos que compõem a dieta básica de uma determinada população é de fundamental importância para garantir a segurança alimentar. Em todo o mundo, o desenvolvimento de valores de referência toxicológicos em alimentos é uma área de pesquisa científica em andamento. No entanto, no Brasil, esses dados são escassos. A exposição humana a esses produtos químicos reflete a exposição combinada por meio de várias vias. Muitos estudos mostraram que a ingestão oral é uma via importante para muitos poluentes orgânicos. No entanto, a maioria dos estudos que avaliam a exposição humana a poluentes por meio da ingestão oral não considerou os complexos processos de absorção no trato gastrointestinal, a biodisponibilidade absoluta ou a biodisponibilidade relativa. Portanto, omitir o fator de absorção superestimaria a exposição humana e os riscos à saúde associados. Neste contexto, tanto as avaliações de biodisponibilidade quanto as de bioacessibilidade visam fornecer uma avaliação mais realista do risco à saúde, medindo a porção de uma determinada substância liberada dos alimentos por meio da digestão. Depois disso, é possível estimar a ingestão diária de poluentes ingeridos pelas populações. Por meio desses resultados, as autoridades de saúde pública podem orientar as indústrias de alimentos no desenvolvimento de novos produtos e apoiar políticas de proteção ao meio ambiente e à biodiversidade. De acordo com isso, o principal objetivo da presente proposta é determinar os níveis de pesticidas, PAH e PFAS em alimentos nas cinco regiões do Brasil e avaliar a biodisponibilidade humana e a bioacessibilidade desses poluentes orgânicos por meio de abordagens in vivo e in vitro. Além disso, serão calculadas as doses estimadas de exposição a esses produtos químicos pelos brasileiros por meio da ingestão alimentar e a avaliação de risco dessas exposições. O presente estudo pretende suprir uma necessidade no Brasil de garantir a segurança alimentar de nossa população por meio do amplo conhecimento da qualidade dos alimentos consumidos em relação aos poluentes ambientais, bem como fornecer subsídios para futuros programas de saúde pública no âmbito toxicológico. (AU)
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