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Ao vencedor as batatas

Processo: 18/02369-5
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no exterior
Vigência: 01 de maio de 2018 - 30 de abril de 2019
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Literatura Brasileira
Pesquisador responsável:Robert Schwarz
Beneficiário:Robert Schwarz
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Literatura comparada  Romance  Crítica literária  Machado de Assis  Processo social  Publicações de divulgação científica  Livros 

Resumo

Como diz o subtítulo, o livro examina as relações, altamente problemáticas, entre "forma literária e processo social nos inícios do romance brasileiro". O primeiro capítulo - "As ideias fora do lugar" - procura caracterizar a posição em falso das ideias adiantadas daquele tempo, em especial o liberalismo, num país cuja economia estava assentada sobre o trabalho escravo, como era o caso do Brasil. Para colocar a questão em termos históricos mais amplos, trata-se de estudar a situação ideológica difícil das ex-colônias que, em seguida à independência política, se inseriram no contexto das nações modernas sem abrir mão das formas de produção e de sociabilidade engendradas durante o período colonial. Resultava daí uma série de contradições estridentes, que marcaram a fundo a vida intelectual do século XIX brasileiro. Com efeito, como conciliar as convicções variadamente romântico-liberais e individualistas, então em voga, com as realidades do escravismo e do clientelismo? As diferentes tentativas de solucionar a dificuldade, ou mesmo o vexame, compuseram algo como uma comédia ideológica representativa do país. A impregnação do cotidiano por esse tipo de contradições configura um universo histórico peculiar, com problemas próprios, que será a matéria prima com que vão lidar os romances de tendência romântica ou realista escritos no período. O segundo capítulo, que discute "A importação do romance e suas contradições em Alencar", vai reencontrar esses temas no plano da composição literária. O foco está no romance urbano do Autor, particularmente Senhora, cujo modelo, quanto a conflito e intriga, é Balzac. Como o desígnio de Alencar era patriótico, não se tratava para ele de simplesmente importar os entrechos do escritor francês. Era preciso também que fossem saturados de cor local brasileira, mediante a incorporação de anedotas, expressões e tipos humanos característicos de nossa dimensão pré-moderna. Compunha-se assim um tecido artístico dual, que combinava o clima social brasileiro a dinamismos próprios aos países adiantados da Europa. A tese de Ao vencedor as batatas é que as inconsistências que resultam desse dualismo têm posição central no romance brasileiro. Por um lado, os desajustes podem ser considerados como deficiência estética, o que obviamente são. Por outro, de que Alencar tinha clara consciência, eles são também singularidades nacionais valiosas, em que está sintetizado um traço forte da situação brasileira, que encontra nessa ordem de inconsistências a sua expressão moderna. O desacerto de composição não deixava de ser um acerto mimético, o que não escapou à genial sagacidade de Machado de Assis. No terceiro capítulo são estudados os progressos literários do jovem Machado, que respondeu com perspicácia e coerência notáveis à herança artística deixada por Alencar. A análise procura acompanhar e destrinchar o percurso de superações, altamente significativas, graças ao qual se formou nosso primeiro grande escritor. (AU)