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Uso de plasma de doador convalescente para tratar pacientes com infecção grave pelo SARS-CoV-2 (COVID-19)

Processo: 20/05367-3
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de maio de 2020 - 30 de abril de 2022
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Clínica Médica
Pesquisador responsável:Rodrigo do Tocantins Calado De Saloma Rodrigues
Beneficiário:Rodrigo do Tocantins Calado De Saloma Rodrigues
Instituição-sede: Hemocentro de Ribeirão Preto. Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (HCMRP). Secretaria da Saúde (São Paulo - Estado). Ribeirão Preto , SP, Brasil
Pesq. associados:Benedito Antônio Lopes da Fonseca ; Dimas Tadeu Covas ; Eurico de Arruda Neto ; Gil Cunha de Santis ; Julio Henrique Rosa Croda ; Paulo Louzada Junior
Vinculado ao auxílio:13/08135-2 - CTC - Centro de Terapia Celular, AP.CEPID
Assunto(s):Infecções por Coronavirus  COVID-19  Coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2  Imunização passiva  Serviço de hemoterapia  Transfusão de sangue  Plasma sanguíneo  Plasmaferese  Anticorpos antivirais  Pandemias  Estudo comparativo  Ensaio clínico 

Resumo

A pandemia pelo vírus SARS-CoV-2 afeta o mundo todo e agora atingiu o Brasil. Ainda se desconhecem a magnitude e as consequências da epidemia da COVID-19 no país. Neste estudo, avaliaremos o impacto da transfusão de plasma de convalescente da COVID-19 em pacientes com quadro clínico grave dessa doença. O quadro clínico da infecção pelo SARS-CoV-2 é heterogêneo, com apresentação clínica leve e oligossintomática, ou mesmo assintomática, na maioria dos casos, mas uma parcela de pacientes apresenta evolução grave, com insuficiência respiratória, quadro responsável pela maioria das mortes. Não há até o momento terapia específica para a COVID-19. Uma alternativa potencialmente promissora é a infusão de anticorpos pré-formados, oriundos de indivíduos convalescentes da COVID-19. Essa forma de terapia, por meio da infusão de soro ou de plasma, é a única forma de conferir imunidade imediata, até que o próprio organismo afetado tenha tempo de montar a sua própria resposta imune (imunidade adaptativa). Os primeiros relatos dessa modalidade de tratamento remontam há quase um século, para tratar doenças como a poliomielite, o sarampo, a caxumba e a Influenza. Mais recentemente, em 2009 e 2010, foi usado soro de convalescente para tratar pacientes com quadro de grave de Influenza pelo H1N1, em que se mostrou que o grupo de pacientes transfundidos (n= 20) apresentou menor taxa de mortalidade que a observada no grupo não transfundido (n= 73) (20.0% vs 54.8%; P = 0,01). Além disso, o grupo de pacientes transfundidos apresentou carga viral e níveis de citocinas inflamatórias (IL-6, TNF±) nos dias 3, 5 e 7 significativamente inferiores aos observados no grupo de pacientes não transfundidos (P < 0,05). A primeira epidemia pelo coronavírus (SARS-CoV), que também se originou na China, em 2002 e 2003, proporcionou informação a respeito da factibilidade de usar plasma convalescente, em que se identificaram anticorpos neutralizantes do vírus. A segunda epidemia por coronavírus ocorreu no Oriente Médio, em 2012, e depois na Coreia do Sul. Em ambas as epidemias, a taxa de mortalidade foi muito alta. Oitenta pacientes com a síndrome respiratória aguda grave causada pelo coronavírus foram tratados com plasma convalescente, com desfecho clínico mais favorável nos pacientes transfundidos. O plasma foi obtido dos convalescentes a partir do sétimo dia da sua recuperação, a fim de que contivessem altos títulos de anticorpos. Metanálise recente sugeriu que a transfusão de plasma convalescente reduziu a mortalidade nos grupos de pacientes com síndrome respiratória aguda grave de causa viral, por coronavírus e pelo vírus da Influenza. Os autores identificaram 32 estudos, em sua maioria de baixa qualidade metodológica e com elevado risco de viés. A hipótese é de que transfusão de plasma de doador convalescente da COVID-19 poderá resultar em evolução clínica mais favorável e aumentar a taxa de sobrevida de indivíduos com acometimento grave pela doença. Serão tratados com plasma convalescente 40 pacientes com a forma grave da COVID-19, que terão seus desfechos comparados com grupo controle constituído de 80 pacientes com a mesma doença, com características e gravidade clínica semelhante. Cada paciente receberá uma dose aproximada de 10 mL/kg/dia de plasma convalescente (600 mL/dia para os adultos), por 3 dias consecutivos. O objetivo principal é comparar a curva de sobrevida entre os dois grupos até o dia 30 e, depois, até o dia 60 da randomização em grupo de pacientes com COVID-19 tratados com plasma de convalescente dessa infecção com a observada em grupo de pacientes submetidos a tratamento convencional (de suporte). Os objetivos secundários mais importantes são avaliar nos dois grupos a carga viral, a influência da idade na taxa de sobrevida e a ocorrência de eventuais reações adversas à transfusão de plasma. (AU)