Resumo
Diabetes mellitus (DM) é um dos problemas mais graves de saúde do mundo, representando uma ameaça significativa à saúde pública. A exposição intrauterina ao diabete pode afetar o desenvolvimento fetal levando a efeitos a longo prazo na saúde da prole. Os desfechos mais comuns são o desenvolvimento de alterações metabólicas, estruturais e funcionais em vários órgãos incluindo o pâncreas endócrino (ilhotas pancreáticas). Já foi demonstrado que a prole de mães diabéticas tem grande predisposição à intolerância à glicose, obesidade, resistência à insulina e hipertensão arterial na vida adulta. A presença da hiperglicemia durante a gravidez parece ser responsável por alterações no metabolismo da glicose e na função das células pancreáticas da prole. Estudos baseados em sequenciamento do genoma encontraram alterações em genes importantes para o desenvolvimento, maturação e função das células beta (²), que podem estar associadas ao risco de desenvolvimento do diabete, e estes mecanismos envolvem o controle epigenético mediado por microRNAs (miRNAs). Os miRNAs são moléculas não codificadoras de proteínas com potente ação regulatória da expressão gênica e se encontram alterados em diversas doenças. Estudos sugerem que os miRNAs circulantes podem ser considerados biomarcadores do desenvolvimento de doenças como o diabete. Considerando que o diabete materno prejudica a função pancreática e, consequentemente, o metabolismo da glicose nos descendentes tanto de mulheres quanto em animais de laboratório e, considerando a necessidade de analisar os biomarcadores responsáveis pela passagem do fenótipo diabético entre gerações, o presente projeto visa avaliar o impacto da hiperglicemia materna sobre a expressão do transcritoma codificador e não codificador, este último com foco em miRNAs, nas ilhotas pancreáticas isoladas de ratas-mães diabéticas e sua prole feminina na fase adulta. Ratas fêmeas serão submetidas à indução do diabete pela administração de tampão citrato (grupo não-diabético ou controle) ou streptozotocin (droga ²-citotóxica) (grupo diabético) na fase neonatal e, após confirmação do diabete na vida adulta, estas ratas serão acasaladas para obtenção de descendentes, as quais serão avaliadas na vida adulta (120 dias de vida). Posteriormente, ratas-mães diabéticas e sua prole feminina adulta serão anestesiadas para serem submetidas à laparotomia para coleta do pâncreas, que será processado para posterior análise transcritômica (RNAm total) e de miRNAs expressos nas ilhotas pancreáticas. Nossa hipótese é que filhas de ratas diabéticas mimetizam a condição diabética das mães a partir das alterações no transcritoma codificador e não codificador e que os miRNAs podem ser importantes biomarcadores preditores da passagem do fenótipo diabético para a prole. Ao determinarmos as mudanças no transcritoma do tecido endócrino-pancreático de ratas-mães diabéticas e das filhas dessas ratas, seremos capazes não apenas de compreender os mecanismos moleculares complexos que conduzem o fenótipo diabético entre as gerações, mas também identificar alvos para novas oportunidades terapêuticas. (AU)
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