Resumo
Sabe-se que 70 - 75% das mulheres apresentarão pelo menos um episódio de candidíase vaginal em suas vidas, e cerca de 40 a 50% sofrerão infecções recorrentes. As infecções vaginais por Candida são caracterizadas por depleção dos Lactobacillus spp. normais, um aumento no pH vaginal e um super crescimento de patógenos na flora vaginal. A eficácia do tratamento tópico de micoses superficiais, depende dentre muitas variáveis, do contato íntimo do antifúngico com a mucosa vaginal por um período de tempo prolongado. As formulações intravaginais disponíveis apresentam baixo tempo de permanência local, necessitando de múltiplas aplicações para a obtenção de sucesso no tratamento proposto. Os antifúngicos disponíveis apresentam uso limitado devido a fatores como baixa potência e solubilidade, toxicidade e o aparecimento de cepas resistentes, consequências de seu uso indiscriminado. Já foi demonstrado que a própolis é eficiente no tratamento de candidíase oral e que pode ser um medicamento contra infecções vaginais. Além disso, diferentemente dos antifúngicos e antibióticos comumente utilizados, não existem relatos de que a própolis promova o surgimento de organismos resistentes e a mesma induz a letalidade fúngica por mecanismos distintos dos observados com os antifúngicos atualmente disponíveis no mercado. Resultados obtidos na fase 1 do projeto (PIPE-Fapesp) demonstraram o potencial do extrato alcoólico de própolis como um fungicida, além disso, foi possível a elucidação da importante participação dos compostos artepelin C, isossakuranetina e nerolidol nas ações do produto. A proposta abrange o desenvolvimento, caracterização química, física e microbiológica de um gel mucoadesivo contendo própolis para tratamento da candidíase vaginal, além da avaliação da segurança e eficácia pré-clínica e clínica do medicamento. Pretende-se também realizar a caracterização da microflora vaginal de pacientes com candidíase vulvovaginal que foram tratados com a própolis. Esta avaliação poderá proporcionar um conhecimento acerca dos fatores de recolonização da microflora vaginal após o tratamento com a mesma. Essas informações poderão auxiliar no melhor manejo e eficácia do tratamento e da posologia da própolis no tratamento da candidíase vulvovaginal. Assim, diante do exposto, a realização do presente projeto estará contribuindo estrategicamente no tratamento de uma doença de alta recorrência, através do desenvolvimento de um sistema de liberação mucoadesivo a base de polímeros biocompatíveis que visam o aumento do tempo de permanência e liberação controladas de um antifúngico bioativo, uma proposta inovadora para o mercado. (AU)
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