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Condução da vida, governo: paralelas e intersecções no pensamento de Max Weber e Michel Foucault

Processo: 17/04327-5
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de outubro de 2017 - 30 de setembro de 2018
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia
Pesquisador responsável:Maria Helena Oliva Augusto
Beneficiário:Maria Helena Oliva Augusto
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Teoria sociológica  Michel Foucault 

Resumo

O livro resulta de trabalho desenvolvido pelo Grupo de Pesquisadores sobre Governo, Ética e Subjetividade (GES), entre 2012 e 2016. O que confere unidade aos trabalhos aqui reunidos é o esforço de ponderar a produtividade analítica da articulação entre a obra de Max Weber e a de Michel Foucault, já esboçada em dois momentos distintos: no final dos anos 1980 e em meados dos anos 2000. O trabalho envolveu o exame dessa bibliografia, a promoção de um seminário internacional (ocorrido em maio de 2013, que contou com financiamento da FAPESP e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia/USP) e a organização do livro, de modo a revisitar e atualizar as discussões.Na produção de Max Weber e de Michel Foucault encontram-se semelhanças temáticas, como as da condução da vida e do governo, mas igualmente de recursos metodológicos, em especial na forma como ambos manifestam preocupação em reexaminar a história a partir de problemas do presente, na busca de sua particularidade.Na primeira parte deste volume, os trabalhos apresentados exploram proximidades e distâncias entre Weber e Foucault. Especificamente, Colin Gordon, cuja reflexão no final dos anos 1980 foi o ponto de partida para os encontros e percursos reflexivos que resultaram nos textos aqui presentes, propõe revisitar Weber pela via de Foucault, também sugerindo a existência de complementaridade entre eles. Sam Whimster, por sua vez, explora a noção de "condução de vida" na obra de Weber, debruçando-se sobre a releitura desse autor feita por Wilhelm Hennis, central para a identificação de convergências entre o trabalho de Weber e o de Foucault. Já Márcio Alves da Fonseca se debruça sobre os usos da história para entender em todo o seu significado tanto a compreensão weberiana quanto a atitude particular proposta por Foucault em relação ao presente histórico. Daniel Pereira de Andrade trabalha o tema do anormal, mais evidente em Foucault porém, como ele sugere, presente em Weber devido a seu diálogo com as ciências psi, que também emergiam naquele momento histórico. Mariana Côrtes destaca a importância da religião nas origens da modernidade, demostrada pelos dois autores. E Ana Lúcia Teixeira destaca o interesse que dedicam às manifestações estéticas e a habilidade que demonstram para vinculá-las a seus temas principais.A segunda parte do livro focaliza a atualidade das perspectivas de Weber e Foucault. Arpad Szakolczai enfatiza a identificação de limites comuns e omissões importantes presentes tanto na obra de Weber quanto na de Foucault, perguntando-se sobre qual seria a forma adequada de ocupar-se do trabalho deles. Phillippe Chevalier pergunta-se se há algo de especificamente religioso nas análises foucaultianas sobre as origens religiosas do poder moderno. Maria Helena Oliva Augusto questiona até que ponto certas aproximações entre as perspectivas desses autores são realmente possíveis, a partir dos conceitos centrais de "condução da vida", em Weber, e "governo de si", em Foucault.Na segunda seção da segunda parte, é apresentada a versão traduzida do texto clássico de Colin Gordon, publicada em meados da década de 1980, que marca as primeiras explorações das convergências entre as obras de Weber e Foucault. Osvaldo Javier López-Ruiz questiona as condições objetivas de as ciências sociais utilizarem a reflexão desses autores a fim de examinar as possibilidades efetivas do pensamento reflexivo-interpretativo na atualidade. Philippe Steiner, depois de revisar algumas questões que permitem aproximar os procedimentos dos dois, esboça o que poderia ser uma abordagem foucaultiana para a análise do mercado. Fabiana Jardim encerra o livro buscando articular as contribuições de ambos os autores sobre os temas do poder e da cultura política, unindo a experiência política do presente e a atualidade do pensamento de ambos, a fim de interrogar e ampliar essa experiência. (AU)