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Obesidade em crianças e adolescentes: relação com a inflamação, risco cardiovascular e com o consumo de alimentos processados e ultraprocessados

Processo: 19/16990-6
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de outubro de 2019
Vigência (Término): 30 de setembro de 2020
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina
Pesquisador responsável:Roseli Oselka Saccardo Sarni
Beneficiário:Maria Vitoria Mareschi Barbosa
Instituição-sede: Centro Universitário Saúde ABC. Fundação do ABC. Santo André , SP, Brasil
Assunto(s):Obesidade   Crianças   Adolescentes   Consumo de alimentos   Alimentos processados   Adiposidade   Biomarcadores   Coleta de dados   Registros eletrônicos de saúde

Resumo

A Organização Mundial da Saúde aponta a obesidade como grave problema de saúde pública no mundo. A projeção é que em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso e mais de 700 milhões, obesos. O número de crianças e adolescentes com excesso de peso poderá atingir cifras de 75 milhões, caso medidas efetivas não forem tomadas. No Brasil, é um problema que cresce exponencialmente. A última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) revelou que 30% e 21,5% das crianças e adolescentes brasileiros apresentam excesso de peso, respectivamente. Além disso, foi constatado que 9% do conteúdo da dieta do brasileiro é proveniente de alimentos processados e 21,5% de ultraprocessados, que contêm quantidades excessivas de sódio, açúcares livres, gorduras totais, saturadas e trans. O consumo excessivo de alimentos processados e ultraprocessados está associado com o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis como a obesidade e doenças cardiovasculares. A adiposidade visceral relacionada ao risco elevado de doenças cardiovasculares pode ser indiretamente avaliada pela razão circunferência abdominal por estatura, mesmo na faixa etária pediátrica. São considerados elevados os valores da razão acima de 0,5. Em indivíduos com excesso de peso, os adipócitos secretam, em maior proporção, várias citocinas que, direta ou indiretamente, elevam a produção e circulação de fatores relacionados com a inflamação, como a proteína Amiloide Sérica A (SAA), proteína de fase aguda e marcador precoce de atividade inflamatória. Sabe-se, também, que a inflamação associada à obesidade e o consumo elevado de alimentos industrializados são determinantes para morbidades como a doença aterosclerótica, que provém da disfunção endotelial amplificando o processo inflamatório. Outro ponto importante é o estresse oxidativo que acompanha indivíduos que consomem com frequência alimentos processados: ao diminuir o consumo de alimentos in natura há comprometimento na defesa antioxidante facilitando a ação de radicais livres no endotélio vascular com consequente lesão. Por meio de um estudo transversal, avaliaremos crianças e adolescentes do Ambulatório de Obesidade da Disciplina de Pediatria Clínica da Faculdade de Medicina do ABC, matriculados em 2018 ou em intervenção por equipe multiprofissional por menos de um ano (n=50). Serão coletados dados do prontuário (nome, idade, procedência, peso ao nascer, tempo de aleitamento materno exclusivo e total, estadiamento puberal, peso, altura, CB, dobras cutâneas e circunferência abdominal, ZIMC e ZEI. Além disso, serão realizados os seguintes exames bioquímicos: perfil lipídico (não HDL-c e as relações colesterol total/HDL-c, LDL-c/HDL-c, Apo B/Apo A-I e TG/HDL, LDL-c/Apo B), PCRus; proteína amiloide sérica A, apolipoproteínas A e B, insulina; glicemia, TGO, TGP e Gama GT. Para a avaliação do consumo alimentar, realizaremos recordatórios de 24h colhidos no dia da consulta e outro no momento da coleta dos exames bioquímicos. Para avaliar as alterações morfológicas associadas à disfunção endotelial, utiliza-se a aferição da espessura da camada médio-intimal da carótida, por ultrassonografia arterial Doppler, método que permite a avaliação do risco cardiovascular, em fases precoces e avançadas da doença aterosclerótica, em grupos considerados de risco; é uma importante ferramenta na avaliação da doença cardiovascular subclínica. Dentro deste contexto, visto a escassez de estudos na faixa pediátrica, neste projeto avaliaremos os biomarcadores de inflamação (proteína C reativa ultrassensível (PCRus) e proteína amiloide sérica A) em crianças e adolescentes com excesso de peso e relacionaremos com resistência insulínica, dislipidemia, espessura médio-intimal da carótida e com o consumo de alimentos processados/ultraprocessados. Ao final do projeto, será feita uma ação de conscientização com os participantes da pesquisa e seus familiares, buscando auxiliar na mudança de estilo de vida. (AU)