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Baudelaire: crítico do progresso: a literatura como olhar historiográfico sobre a cidade do Século XIX

Processo: 97/04315-1
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de novembro de 1997
Vigência (Término): 31 de agosto de 1999
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História do Brasil
Pesquisador responsável:Hercídia Mara Facuri Coelho
Beneficiário:Marcos Antonio de Menezes
Instituição-sede: Faculdade de História, Direito e Serviço Social. Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Franca. Franca , SP, Brasil
Assunto(s):Cidades   Modernidade   Urbanização   Cultura (sociologia)   Literatura

Resumo

A pesquisa pretende discutir o tema do progresso no século XIX a partir da leitura de poesias de Charles Baudelaire. O modelo de desenvolvimento urbano será Paris e o período, as décadas de 50 e 60. Não faremos uso da literatura como mero suplemento da história onde ela só cumpre a função de confirmar algo já dito por outras fontes ou de ilustrar o que se toma por consensualmente dado como fato histórico. Negamo-nos a ver nela mero recurso para preencher lacunas deixadas por outras fontes. Usaremos a literatura para saber mais a respeito do cotidiano e dos sentimentos dos homens do século XIX. A literatura deste período narra a experiência do homem moderno lançado no coração da metrópole, experiência de ser estranho no mundo, de estar sob o signo da precariedade. Através da poesia de Baudelaire queremos resgatar esta experiência de ser estranho, este sentimento de precariedade de quem experimenta, pela primeira vez em suas vidas, o desfalecer de seus mundos físico e espiritual. Queremos resgatar esta atmosfera que permitiu ao poeta criar uma obra crítica, sem ser engajada e sendo profundamente melancólico. Baudelaire viveu a experiência da cidade grande com uma preocupação: fazer as pessoas questionarem as mudanças. Viveu momentos de crise social e ideológica, uma grande decepção com o desenvolvimento tecnológico, o impacto da vivência nas metrópoles e a derrota da Revolução. Estes aspectos da vida devem ser buscados nas manifestações artísticas, razão pela qual o uso da literatura como fonte da história se justifica plenamente. A posição "sui generis" de Paris, metrópole européia do século XIX, permite afirmar que as relações sociais nascidas nesta cidade são, em escala reduzida, uma amostra das relações impostas pelo novo modo de produção nascente: o capitalismo. Na época de Baudelaire, a cidade de Paris sofreu sua mais complexa reforma urbana, modelo para o mundo ocidental. Paris é reformada, populações inteiras são deslocadas para dar lugar aos novos bairros e indústrias. (AU)