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Interações neuro-imunes envolvidas na gênese da hipersensibilidade nociceptiva herpética e pós-herpética

Texto completo
Autor(es):
Jaqueline Raymondi Silva
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Ribeirão Preto.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Data de defesa:
Membros da banca:
Fernando de Queiroz Cunha; Yara Cury; Juliano Ferreira; Benedito Antonio Lopes da Fonseca
Orientador: Fernando de Queiroz Cunha
Resumo

Herpes Zoster é uma doença causada pela reativação do vírus Varicela Zoster nos gânglios sensoriais, caracterizada pelo desenvolvimento de lesões na pele e dor. Não há modelos animais disponíveis para estudo da patofisiologia da doença. No entanto, um modelo murino que utiliza o HSV-1 tem sido usado para tal fim, visto que os animais desenvolvem lesões zosteriformes e desenvolvem hipersensibilidade na pata infectada. Não há dados na literatura acerca da resposta imune que se desenvolve nos gânglios da raiz dorsal destes animais. Logo, o objetivo deste trabalho foi o de avaliar células e mediadores inflamatórios presentes nos gânglios da raiz dorsal e sua relação com a hiperalgesia durante a infecção cutânea por HSV-1. Durante a fase aguda da infecção, os camundongos desenvolveram hiperalgesia nas patas ipsilaterais a partir do 3 dia pós-infecção, que perdurou até o 7 dia pós-infecção. A maior carga viral foi detectada nos gânglios L4, L5 e L6, os quais compõem o nervo ciático, que inerva a área infectada. O tratamento dos animais infectados com dexametasona ou fucoidina resultou na redução do comportamento de hiperalgesia, a partir do 5 dia pós-infecção, que corresponde ao período em que a migração de leucócitos passa a aumentar nos gânglios da raiz dorsal. Macrófagos, neutrófilos e linfócitos T CD4 foram detectados nos gânglios durante a infecção aguda. No entanto, linfócitos T CD8 estavam ausentes. A expressão do mRNA de TNF- e COX-2 estava aumentada nos gânglios, e o tratamento de animais infectados com drogas inibidoras de ambos resultou na redução da hiperalgesia. Os receptores do tipo Toll-like e da IL-1 não participam da geração da hipersensibilidade herpética. Após 50 dias da infecção, constatou-se que alguns animais apresentavam comportamento de hiperalgesia irreversível, semelhante à neuralgia pós-herpética humana (NPH). Não houve diferença significativa na incidência da NPH em animais de linhagens ou sexos diferentes. Ainda, o tratamento com drogas anticonvulsivantes e antidepressivas, mas não com morfina e anti-inflamatórios, resultou na redução transiente da hiperalgesia. Neste período, não há participação da inflamação na manutenção da hiperalgesia. A expressão de TNF- e COX-2 retorna aos níveis basais, e não são mais detectados neutrófilos e macrófagos. No entanto, a migração de linfócitos T CD4+ e CD8+ aos gânglios aumenta de maneira tempo-dependente. Durante a NPH, detectou-se uma intensa ativação das células satélites gliais, que contribuem para a manutenção da hiperalgesia pós-herpética. Nossos resultados demonstram que a manutenção hiperalgesia herpética é resultado da intensa resposta inflamatória que ocorre nos gânglios da raiz dorsal infectados, com aumento da produção de TNF- e COX-2, importantes mediadores para a hipersensibilidade. No entanto, durante a neuralgia pós-herpética, não há participação de células ou mediadores inflamatórios, mas de células da glia, as quais são importantes na manutenção da hiperalgesia. (AU)

Processo FAPESP: 10/12309-8 - Papel da resposta imune inflamatória no desenvolvimento da hipernocicepção herpética e pós-herpética
Beneficiário:Jaqueline Raymondi Silva
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado