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Análise de expressão gênica diferencial de células do gânglio da raiz dorsal em ratos modelo para diabetes e neuropatia diabética

Texto completo
Autor(es):
Maria Carolina Pedro Athié
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Biologia
Data de defesa:
Membros da banca:
Gisele Picolo; Daniel Martins de Souza; Helena Cristina de Lima Barbosa Sampaio; Joice Maria da Cunha
Orientador: Carlos Amilcar Parada
Resumo

A Neuropatia Diabética Periférica (NDP) manifesta-se em 50-60% dos pacientes diabéticos tanto do tipo I quanto do tipo II e é a maior causa de amputação não traumática de membros. Muito embora as características eletrofisiológicas e morfológicas da doença já estejam bem descritas, pouco se sabe sobre seu desenvolvimento e progressão, limitando terapias eficazes. A hiperglicemia e deficiências na sinalização de insulina são consideradas como os eventos deflagradores da produção de estresse oxidativo observado nos nervos em processo de degeneração. Diversas hipóteses foram elaboradas na tentativa de explicar o fenômeno, mas até hoje existem muitas lacunas no conhecimento da patogênese e da plasticidade celular associada. Alterações detectadas por técnicas de prospecção em larga escala do transcriptoma e proteoma podem ajudar a compreender os eventos moleculares observados na NDP quando os sintomas começam a aparecer. Com esse intuito, o objetivo deste estudo foi o de analisar, por RNA-Seq e espectrometria de massas quantitativa livre de sonda, o transcriptoma e o proteoma de Gânglios da Raiz Dorsal (DRG) de ratos Wistar modelo para diabetes tipo-I apresentando os primeiros sinais de desenvolvimento de NDP e respectivos controles. Os resultados obtidos demonstraram que as alterações na expressão de genes e proteínas nos DRGs já são detectadas há apenas 2 semanas após a verificação de alterações de sensibilidade mecânica periférica nas patas traseiras de ratos. Apesar da grande similaridade entre os transcriptomas dos animais hiperglicêmicos e controles, a análise comparativa detectou 66 transcritos diferencialmente expressos entre os grupos. Os resultados do estudo de proteoma obtidos também revelaram que existem alterações de expressão nos DRGs dos animais hiperglicêmicos: 3 proteínas foram consideradas diferencialmente expressas entre os dois grupos. De maneira similar, a categorização baseada em função apontou para genes e proteínas diferencialmente expressos envolvidos com estresse oxidativo, inflamação, apoptose/sobrevivência celular, proliferação celular e hiperalgesia/analgesia. Dado os seus papéis fisiológicos, alteração de expressão dessas moléculas sugere uma alteração do programa metabólico celular para um voltado a regeneração/sobrevivência. Nossos resultados mostram que as alterações no proteoma e transcriptoma começam a aparecer precocemente e que essas alterações podem ser um esforço para manter a homeostase celular. Assim, os presentes dados podem indicar como as células do DRG respondem a hiperglicemia neste estágio precoce abrindo a possibilidade futura de se descobrir quais mecanismos ou vias param de responder, levando aos danos e morte celular observados na clínica. Descobrir as primeiras alterações celulares na NDP pode levar a alvos mais robustos para a intervenção farmacêutica, que podem por sua vez prevenir ou retardar mais eficientemente os danos celulares (AU)