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As palavras funcionais na chamada fala telegráfica em enunciados de sujeitos afásicos

Texto completo
Autor(es):
Arnaldo Rodrigues de Lima
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Data de defesa:
Orientador: Rosana do Carmo Novaes Pinto
Resumo

Uma das razões para a Linguística se debruçar sobre as alterações de linguagem nas patologias é que os dados advindos deste campo ajudam a corroborar e a refutar hipóteses sobre seu funcionamento em estados normais. Dentre os tipos de afasia mais estudados está o agramatismo ¿ seja entendido como sintoma ou síndrome ¿, caracterizado pela presença da fala telegráfica, objeto central desta pesquisa. Na literatura neuropsicológica, agramatismo e fala telegráfica estão associados à afasia de Broca. Os estudos dessa categoria enfatizam as perdas na linguagem verbal, relativas às categorias funcionais: preposições, artigos, conjunções, bem como à morfologia flexional e derivacional. As classes abertas estariam relativamente preservadas: substantivos, adjetivos, alguns advérbios e a forma infinitiva dos verbos. Para Jakobson, o agramatismo se configura como um protótipo das afasias de combinação, mas apontamos também que há dificuldades relativas à seleção das palavras funcionais. Avaliamos, também, as hipóteses de Vygotsky, Luria, Leontiev e Akhutina sobre o papel crucial da linguagem interna para a produção dos enunciados e, sobretudo, as hipóteses desta autora sobre a relação entre a linguagem interna e a produção dos enunciados telegráficos. A pesquisa foi desenvolvida integrando pressupostos teórico-metodológicos de diferentes áreas (i) Neurolinguística enunciativo-discursiva, (ii) as abordagens Neuropsicológicas sócio-histórico-culturais e (iii) a Gramática Funcional. O trabalho teve como principal objetivo refletir sobre as dificuldades de sujeitos afásicos não-fluentes com as palavras funcionais, visando compreender a fala telegráfica ¿ que passamos a conceber como enunciado de estilo telegráfico ¿ e, também, avaliar as hipóteses explicativas acerca das variações entre os casos e as que ocorrem nas produções de um mesmo sujeito. Para atingirmos este objetivo, buscamos analisar, por meio da pesquisa qualitativa de cunho microgenético, enunciados de estilo telegráfico produzidos por quatro sujeitos afásicos (BM, BS, TR e GB) que participam das sessões coletivas e individuais do Grupo 3 do Centro de Convivência de Afásicos (CCA/IEL/UNICAMP). Os episódios dialógicos entre afásicos e não-afásicos foram vídeo-filmados, registrados em diário e discursivamente transcritos. Além da observação dos episódios nas sessões coletivas do CCA. Outros dados foram obtidos por meio do uso de expedientes de caráter metalinguístico. Nas análises nos interessou, sobretudo, compreender as estratégias alternativas desses sujeitos nos processos de significação ¿ isto é, como lidam com a estruturação dos enunciados, face às dificuldades com a produção das palavras funcionais. Concluímos que as abordagens dos autores da vertente sócio-histórico-cultural acima referidos e, principalmente, a reflexão de Akhutina contribuem para a compreensão dos processos envolvidos na produção dos enunciados telegráficos ao considerarem tanto os aspectos neurofisiológicos e as áreas impactadas pela lesão quanto os aspectos neuropsicológicos, com ênfase na linguagem ¿ na produção de enunciados em situações dialógicas e em seu papel mediador e organizador das demais funções cognitivas e do desenvolvimento e organização do pensamento. Acreditamos que esta dissertação possa contribuir também para a prática clínica com sujeitos afásicos, bem como para os estudos sobre as dificuldades de encontrar palavras, tema central de projetos no âmbito do GELEP (Grupo de Estudo da Linguagem no envelhecimento e nas patologias) (AU)

Processo FAPESP: 15/07238-8 - As palavras funcionais na chamada fala telegráfica em enunciados de sujeitos afásicos
Beneficiário:Arnaldo Rodrigues de Lima
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Mestrado