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Aspectos genéticos do glaucoma primário de ângulo aberto na população brasileira = Genetic aspects of primary open angle glaucoma in Brazilian population

Texto completo
Autor(es):
Hugo Freire Nunes
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia
Data de defesa:
Resumo

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, sendo o Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA) a forma mais comum da doença. Esta afecção, dificilmente, é detectada precocemente por ser assintomática em sua fase inicial, durante a qual o tratamento previne perdas definitivas da função visual. Desta forma, a identificação de grupos de risco baseada em aspectos genéticos é importante para auxiliar no diagnóstico precoce e estabelecer um seguimento clínico mais adequado para os pacientes. Dentre os genes identificados relacionados ao GPAA, merecem destaque os genes MYOC, OPTN e WDR36, sendo que alterações no gene MYOC são consideradas a maior causa de cegueira com base molecular estabelecida. Mais recentemente, o gene NTF4 (GLC1O) foi identificado a partir de estudo de ligação em famílias alemãs com GPAA e os genes CAV1 e CDKN2B foram associados ao GPAA por meio de estudos de associação de amplitude genômica ou Genome Wide Association Studies (GWAS) e replicados em outras populações. O possível papel de alguns destes genes na fisiopatologia do glaucoma ainda é pouco conhecido, não havendo dados sobre os mesmos na população brasileira. Além disso, são poucos os genes que têm papel estabelecido na fisiopatologia do GPAA, estimulando a busca por novos genes. Desta maneira, inicialmente, este estudo buscou, a partir da investigação da região codificadora do gene NTF4, a associação deste gene com o GPAA em um estudo caso/controle que compreendeu tanto uma amostra da população de pacientes não relacionados portadores de GPAA (n =169) como uma população sem a doença (n =140). Além deste gene, foi investigada a contribuição dos alelos de risco previamente associados ao GPAA na região dos genes CAV1 (rs4236601) e CDKN2B (rs4977756, rs2157719). Concomitantemente, treze famílias foram avaliadas a partir da investigação das regiões codificadoras dos genes MYOC e CYP1B1. Dentre as famílias, duas foram selecionadas para a busca de variantes causais para o GPAA por meio de sequenciamento completo de exomas. Alterações no gene NTF4 são muito raras e na amostra da população brasileira estudada também não foram observadas variações neste gene que resultem em associação com a doença. No entanto, para a confirmação de tais resultados é importante que as regiões regulatórias também sejam avaliadas. Nossos resultados apontam para a associação de marcadores genéticos com o GPAA na região dos genes CAV1/2 (rs4236601, p=0,04) e CDKN2B (rs2157719, p=0.0005) na amostra estudada, nunca antes descrita na população brasileira. Estudos em famílias descreveram até o momento poucos genes causais para as formas mendelianas do GPAA. Neste estudo não foram encontradas alterações no gene MYOC em treze famílias estudadas. Alterações no gene MYOC são mais relevantes em casos de GPAA-J e não foram encontradas nas famílias com GPAA na forma adulta. Nas mesmas famílias foram descritas sete diferentes mutações no gene CYP1B1; no entanto apenas uma pode ser considerada relacionada ao fenótipo nas formas primárias de glaucoma. Mais estudos e o acompanhamento adequado dos indivíduos portadores poderá elucidar a relação da variante rara P400S com o GPAA. Em duas famílias um estudo de sequenciamento de exomas foi realizado, contudo as análises não apontaram até o momento as causas genéticas do GPAA nestas famílias. Alterações que segreguem com o fenótipo da doença ainda não foram descritas nos dez indivíduos estudados (AU)

Processo FAPESP: 11/04073-7 - Aspectos genéticos do glaucoma primário de ângulo aberto (gpaa) na população brasileira
Beneficiário:Hugo Freire Nunes
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado