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Atividade do veneno de Tityus bahiensis em preparações neuromusculares e autônomas

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Autor(es):
Collaço, Rita de Cássia de Oliveira
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas
Data de defesa:
Resumo

O escorpionismo é caracterizado principalmente por manifestações locais mas que podem evoluir à sistêmicas, sendo acompanhadas por uma massiva liberação de catecolaminas e acetilcolina por nervos periféricos. Essa atividade é causada por peptídeos neurotóxicos presentes nestes venenos, que tem alta especificidade e afinidade por canais iônicos. Tityus bahiensis (T. bahiensis) é uma das espécies de importância médica no Brasil sendo responsável pela maioria dos acidentes escorpiônicos no estado de São Paulo (segundo maior causa de escopionismo no país), entretanto, apesar de sua relevância epidemiológica, seu veneno permanece pobremente estudado, especialmente em relação a sua farmacologia no sistema nervoso periférico. Este trabalho estudou a atividade do veneno de T. bahiensis na neurotransmissão somática motora e simpática por meio de abordagens miográficas (preparações neuromusculares de camundongo e ave, e canal deferente isolado de ratos), eletrofisiológicas (MEPP, EPP, SEJP, potenciais de membrana em repouso, formas de ondas perineurais, potenciais de ação compostos e whole-cell patch-clamp), e de imagem de cálcio (neurônios do DRG e neuroblastoma, e fibras musculares). Nossos resultados mostram que os maiores efeitos tóxicos promovidos pelo veneno de T. bahiensis na função neuromuscular e neuroefetora são de origem pré-sináptica. Baixas concentrações de veneno prolongam o potencial de ação axonal levando a uma despolarização prolongada do terminal nervoso que consequentemente promove a liberação de neurotransmissores e a facilitação da contração muscular. O veneno também estimulou a liberação espontânea de neurotransmissores provavelmente através da despolarização parcial do terminal nervoso. Altas concentrações de veneno bloqueiam a geração de potencial de ação e a contração muscular neurogênica. A farmacologia do veneno pode ser revertida por baixas concentrações de TTX, indicando que os canais de sódio dependentes de voltagem neuronais são um dos principais alvos dessas toxinas. O resultado deste trabalho sugere que a maioria da neurotoxicidade promovida pelo veneno de T. bahiensis são causados provavelmente por toxinas 'alfa' e 'beta' interagindo com canais iônicos pré-sinápticos sensíveis a TTX em ambos axônios e terminais nervosos (AU)

Processo FAPESP: 16/11319-6 - Atividade do veneno de Tityus bahiensis e suas frações isoladas em preparações neuromusculares somáticas e autônoma.
Beneficiário:Rita de Cássia de Oliveira Collaço
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado