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Quantas vezes devemos queimar o Cerrado? O efeito da frequência do fogo em comunidades vegetais de campo sujo de Cerrado

Texto completo
Autor(es):
Cassy Anne dos Santos Rodrigues
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Imprenta: Rio Claro. 2020-01-27.
Instituição: Universidade Estadual Paulista (Unesp). Instituto de Biociências. Rio Claro
Data de defesa:
Orientador: Alessandra Tomaselli Fidelis
Resumo

O Cerrado é formado por fisionomias campestres e savânicas, evoluiu na presença do fogo e depende dele para manter suas fisionomias e biodiversidade. O regime de fogo influencia diretamente na montagem da comunidade vegetal, na regeneração e nas habilidades competitivas das plantas. A frequência é um dos fatores do regime de fogo e alterações nela podem ser prejudiciais até mesmo para plantas e comunidades adaptadas ao fogo. Portanto, este estudo busca compreender os efeitos de diferentes frequências de fogo em comunidades de campo sujo de Cerrado. Para isso, foram realizados levantamentos da vegetação e coleta de biomassa em áreas com diferentes históricos de fogo (excluído do fogo, queimadas anualmente e bienalmente), o que forneceu os dados de composição e produtividade da comunidade. Os levantamentos, incluindo a cobertura (%) por espécie, foram realizados em 10 subparcelas de 1x1m por tratamento (10 subparcelas/tratamento,3 tratamentos, 4 parcelas/tratamento). Avaliamos também através da taxa de propagação (m.s-1), eficiência de queima (%) e intensidade (kW.m-1) entre outros parâmetros do fogo, os efeitos de diferentes frequências no comportamento do fogo. Nossos resultados mostraram que a riqueza de espécies das comunidades vegetais foi maior nas áreas com frequência anual de fogo do que nas excluídas, 6 meses após o fogo e maior para as bienais do que as excluídas 12 meses após o fogo. O índice de diversidade foi maior no tratamento anual de queima antes e 12 meses após as queimas. Quanto ao número de espécies por grupo funcional, apenas as herbáceas apresentaram aumento e apenas nas parcelas com queimas. Além disso, encontramos diferenças na porcentagem de cobertura de acordo com a forma de crescimento, apenas as herbáceas entre os tratamentos de queima e as parcelas de exclusão. Em relação à cobertura, são as porcentagens de biomassa morta e solo nu que variam entre os históricos de fogo. As parcelas com menor frequência de queima apresentaram cerca de 7 vezes mais cobertura de biomassa morta do que os outros tratamentos. Estes resultados sugerem que 6 anos de exclusão de fogo começam a causar perda e mudanças no padrão de cobertura das espécies. Quanto ao comportamento do fogo encontramos para as comunidades com queimas anuais menos biomassa morta e total e porcentagens mais altas de solo nu do que com queimas bienais. Quanto aos parâmetros de queima, a intensidade, altura da chama, temperaturas máximas e tempo de permanência foram menores nas parcelas anuais. Maior frequência de fogo mudou a estrutura da vegetação e os parâmetros de queima responderam a essas mudanças. Concluímos que a frequência da queima influencia o comportamento do fogo, afetando o aumento da biomassa morta. As comunidades vegetais sob queimas anuais não acumularam a mesma quantidade de biomassa morta que as bienais e, portanto, elas têm porcentagens mais altas de solo nu. Essa combinação afeta o comportamento do fogo devido a uma diminuição e descontinuidade da carga de combustível disponível, o que dificulta a sustentação e a propagação do fogo. Assim, buscou-se através deste estudo compreender a influência e importância da frequência do fogo na dinâmica e montagem de comunidades vegetais de Cerrado, bem como no comportamento do fogo. O que deve contribuir com o desenvolvimento de estratégias de manejo de fogo para conservação deste ecossistema. (AU)

Processo FAPESP: 17/22618-7 - Quantas vezes devemos queimar o cerrado? o efeito da frequência do fogo em comunidades vegetais de campo sujo de cerrado
Beneficiário:Cassy Anne dos Santos Rodrigues
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Mestrado