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Desenvolvimento de sistemas multifuncionais nanoestruturados para a liberação de fármacos administrados por via nasal no tratamento de glioblastoma

Texto completo
Autor(es):
Natália Noronha Ferreira Naddeo
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Araraquara. 2020-05-23.
Instituição: Universidade Estadual Paulista (Unesp). Faculdade de Ciências Farmacêuticas. Araraquara
Data de defesa:
Orientador: Maria Palmira Daflon Gremião; Fátima Baltazar
Resumo

Glioblastomas (GBM) representam 77% dos tumores malignos do sistema nervoso central (SNC) e ainda hoje, apesar de todos os avanços na terapia, continua com prognóstico limitado. A existência de barreiras fisiológicas como a barreira hematoencefálica (BHE) representa o principal obstáculo que impede que concentrações adequadas do fármaco atinjam o local de ação. Por suas vantagens anatômicas, uma estratégia proposta para a administração de fármacos destinados ao SNC consiste no uso da via nasal. Além disso, o uso de terapias combinadas utilizando fármacos capazes de agir em diferentes alvos moleculares deve ser considerada para o tratamento de doenças complexas como GBM. O candidato a fármaco ácido alfa-ciano-4-hidroxicinâmico (CHC) e o anticorpo monoclonal cetuximab (CTX) já são explorados devido à capacidade de agir em diferentes alvos moleculares nas células tumorais e aplicados em conjunto, como uma nova abordagem combinada, podem melhorar os resultados terapêuticos. De forma complementar, a utilização de sistemas de liberação baseados em nanotecnologia trará inevitavelmente ganhos terapêuticos à combinação proposta, permitindo que atributos específicos sejam agregados ao sistema e possibilite não somente a administração nasal, como também a associação de diferentes fármacos em um único carreador. Assim, o presente estudo propõe o desenvolvimento de diferentes plataformas poliméricas baseadas em poli(ácido láctico-co-glicólico) (PLGA) e quitosana trimetilada (TMC) ou quitosana oligomérica (OCS) para encapsulação do CHC. Ambos os sistemas desenvolvidos contendo CHC encapsulado exibiram tamanho de aproximadamente 300 a 400 nm contendo quitosana em sua superfície mais externa (potencial zeta positivo) e uma alta porcentagem de CHC encapsulado (± 85%). A caracterização físico-química dos sistemas mostrou sua estabilidade coloidal, principalmente na presença do fármaco CHC. Dados de DRX sugerem que a interação entre CHC e as nanopartículas (NPs) de PLGA/OCS apresentam padrões diferentes das NPs de PLGA/TMC. A conjugação entre CTX e NPs foi realizada através de ligações supramoleculares e covalente resultando em 85 e 58% de eficiência, respectivamente. A análise da eficácia terapêutica utilizando protocolos in vitro empregando linhas celulares de glioma U251 e SW1088, estabeleceu que, comparando ambos os sistemas conjugados, o PLGA/OCS parece ter uma capacidade terapêutica mais relevante. Por esse motivo, esse sistema foi selecionado para as futuras investigações. Análise de imunoblot confirmou que o CTX associado às NPs continua a exercer sua eficácia terapêutica. A análise da atividade antiangiogênica, desenvolvimento e progressão do tumor usando modelo de membrana corioalantóica de embrião de galinha (CAM) revelaram uma tendência de redução do tumor quando NPs conjugadas foram utilizadas. Além disso, elas também exibiram uma atividade antiangiogênica. O perfil de liberação in vitro mostrou que a liberação de CHC foi sustentada eretardada pelo seu encapsulamento nas NPs. Estudos de permeação ex vivo utilizando mucosa nasal suína mostraram que a permeação de CHC foi modificada pela sua inclusão nos sistemas. A avaliação da capacidade de NPs administradas pela via nasal em atingir o SNC utilizando tomografia de fluorescência forneceu evidências de independentemente do procedimento de conjugação, NPs foram eficazes em realizar o transporte direto para o cérebro pela rota nasal. Portanto, considerando todos os resultados mencionados, o sistema desenvolvido exibiu um conjunto de atributos favoráveis que as tornam alternativas promissoras a serem futuramente consideradas no tratamento de GBM. (AU)