Busca avançada
Ano de início
Entree


Papel dos AGCCs e receptor FFAR2 na morte de neutrófilos induzida por Aggregatibacter actinomycetemcomitans

Texto completo
Autor(es):
Erica Moraes Sernaglia
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Biologia
Data de defesa:
Membros da banca:
Marcelo Bispo de Jesus; Ana Paula Duarte de Souza
Orientador: Marco Aurelio Ramirez Vinolo
Resumo

Os neutrófilos são as primeiras células a migrarem durante o processo inflamatório, atuando na internalização e killing de micro-organismos invasores. Neutrófilos possuem meia vida curta e, uma vez em apoptose, são engolfados e removidos dos tecidos por macrófagos pelo processo denominado eferocitose. Ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs) são produtos do metabolismo bacteriano, os quais modulam a migração, ativação e função efetora de neutrófilos. Contudo, pouco é conhecido a respeito do seu efeito sobre a morte dessas células. Neste trabalho foram analisadas as vias envolvidas na ação dos AGCCs sobre a morte de neutrófilos e a implicação desse efeito no processo de eferocitose e no perfil de resposta frente a bactéria Aggregatibacter actinomycetemcomitans (Aa), bactéria esta que está associada à periodontite, condição inflamatória crônica dos tecidos de suporte dos dentes na qual há aumento da concentração local de AGCCs. Foram realizados experimentos com neutrófilos isolados de camundongos incubados com Aa e AGCCs (acetato e butirato) in vitro. Butirato induziu apoptose, mas não necrose de neutrófilos. Esse efeito foi observado na presença e na ausência da bactéria Aa e envolveu, em parte, a ativação do receptor FFAR2. Já o acetato, nas concentrações e tempos testados, não apresentou efeito sobre a viabilidade/morte de neutrófilos. Posteriormente, verificou-se que o butirato aumentou a atividade das caspases 8 e 9 e que seu efeito pró-apoptótico foi bloqueado na presença de inibidor de caspases. Utilizando neutrófilos FFAR2-/- a ativação de caspase 8 foi mantida. Os efeitos modulatórios do butirato sobre a produção de citocinas foram mantidos mesmo na presença do inibidor de caspases, indicando que são independentes da ação desses AGCCs sobre a apoptose de neutrófilos. Ao avaliar a eferocitose de neutrófilos pré-tratados com AGCCs por macrófagos in vivo e in vitro não foi observada alteração significativa. Contudo, a produção de citocinas pelos macrófagos após eferocitose foi distinta (menor produção de TNF-alfa). A adição de neutrófilos não modificou a capacidade fagocítica dos macrófagos frente à bactéria Aa. No modelo de infecção in vivo, observou-se maior número de bactérias nas câmaras subcutâneas em que foram inoculados neutrófilos FFAR2+/+ tratados com butirato, além de redução da concentração de TNF-alfa e aumento na produção de CXCL-1. Com uso de neutrófilos de animais FFAR2-/- previamente incubados com butirato, o número de bactérias viáveis foi semelhante entre as condições. Porém o efeito sobre a produção de TNF-alfa (redução) nas câmaras foi mantido. Os resultados ora apresentados sugerem que o AGCC butirato induz apoptose de neutrófilos, efeito esse que reduz a atividade microbicida in vivo. No entanto, outros efeitos, tanto em neutrófilos quanto macrófagos (in vitro e in vivo), incluindo sua ação sobre a produção de mediadores inflamatórios, são independentes da ação pró-apoptótica do butirato sobre os neutrófilos. Com isso, concluímos que o AGCC butirato altera a viabilidade de neutrófilos e com isso modifica a resposta inicial a bactérias como a Aa, efeito esse que pode ser relevante para o desenvolvimento da periodontite (AU)