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Práticas discursivas e transformação de sentidos na justiça restaurativa

Texto completo
Autor(es):
Letícia Trombini Vidotto
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Ribeirão Preto.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (PCARP/BC)
Data de defesa:
Membros da banca:
Laura Vilela e Souza; Cristina Rego de Oliveira; Emerson Fernando Rasera; Nirson Medeiros da Silva Neto
Orientador: Laura Vilela e Souza; Daniel Silva Achutti
Resumo

Esta pesquisa investiga como as práticas discursivas nos processos de Justiça Restaurativa (JR) criam condições para a transformação de conflitos. Fundamentada no construcionismo social e na teoria do posicionamento, a análise foca na dinâmica interacional entre os participantes e nos jogos de posicionamento que ocorrem ao longo do processo. O estudo acompanhou 30 casos de JR no Brasil e na Espanha, utilizando transcrições e anotações de detalhadas dos casos observados, em uma análise qualitativa das interações e uma abordagem quantitativa para avaliar a incidência dos princípios restaurativos nos processos. Os dados foram analisados a partir de um sistema de codificação baseado no Manual on Restorative Justice Values and Standards for Practice, permitindo a classificação dos processos conforme a identificação dos princípios e desafios da JR. A análise estatística utilizou cálculos de proporção para mensurar a incidência dos princípios restaurativos e testes para comparar padrões de prática e desafios nos diferentes casos. Os resultados indicam que a apresentação aos princípios da JR não garante a efetivação dos valores da prática, pois sua operacionalização depende da forma como os sentidos de justiça, restauração e transformação de conflitos são negociados discursivamente entre os participantes. A pesquisa também identificou desafios relacionados à institucionalização da JR dentro do sistema de justiça criminal, destacando como a influência do paradigma retributivo pode restringir reposicionamentos discursivos e limitar a agência dos participantes. Entretanto, observou-se que práticas discursivas como a reformulação de falas, o uso de metáforas, a escuta responsiva e a construção dialógica dos princípios favoreceram a apropriação do modelo restaurativo. Assim, conclui-se que a JR não pode ser compreendida apenas como um conjunto de procedimentos, mas como um processo discursivo que depende da co-construção ativa de sentidos restaurativos ao longo das interações. (AU)

Processo FAPESP: 19/14445-0 - O uso da justiça restaurativa no contexto jurídico
Beneficiário:Letícia Trombini Vidotto
Modalidade de apoio: Bolsas no Brasil - Doutorado