Resumo
A insuficiência cardíaca crônica (ICC) acomete 6,4 milhões de pessoas no Brasil tornando-se um desafio para a saúde pública. Trabalhos têm demonstrado uma forte associação de ICC com o desenvolvimento da disfunção erétil (DE) e sintomas do baixo trato urinário (LUTS). Estudos epidemiológicos demonstraram que 58-85% dos pacientes com ICC relataram algum episódio de DE. Sendo que, aproximadamente 75% destes pacientes relataram comprometimento da libido e 30% apresentam ausência completa de atividades sexuais. Além disso, estudos realizados em pacientes com ICC demonstraram que 32-34% dos homens e 41-62% das mulheres relataram ser portadoras de LUTS. Embora os índices de DE e LUTS em pacientes com ICC sejam elevados não há estudos experimentais ou em humanos avaliando os mecanismos responsáveis por estas disfunções urogenitais. Evidências mostram que a ICC, DE e LUTS apresentam fatores de riscos semelhantes como, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares. Esses fatores de riscos estão associados à disfunção do sistema nervoso autônomo e alterações em importantes vias de sinalização como, a via do óxido nítrico-guanilil ciclase solúvel-guanosina monofosfato cíclico (NO-GCs-GMPc). Drogas foram sintetizadas para mimetizar o efeito exercido pelo NO, sendo divididas em dois grupos: os que atuam de maneira dependente de NO, inibindo a degradação de GMPc (sildenafil); e os que atuam de maneira independente de NO, elevando os níveis de GMPc (BAY 41-2272). O sildenafil tem sido utilizado para o tratamento de desordens associadas à ICC como a hipertensão pulmonar e a DE, porém, nenhum estudo avaliou o efeito dos inibidores de PDE5 nas demais disfunções urogenitais desses pacientes. Trabalhos mostraram que tanto o sildenafil como o BAY41-2272 causam relaxamento na musculatura lisa cavernosa (CC) e detrusor. O tratamento crônico com o BAY41-2272 também preveniu/melhorou o relaxamento do CC e restaurou a disfunção da bexiga urinária em ratos deficientes de NO. Portanto, tanto o sildenafil, como o BAY41-2272 podem ser agentes com potencial terapêutico em doenças onde exista o comprometimento da via NO-GCs-GMPc. Desta forma, o projeto propõe investigar as alterações da função erétil e do baixo trato urinário decorrente da insuficiência cardíaca crônica (ICC), procurando explorar as alterações morfofuncionais, bioquímicas e moleculares, bem como, as respostas relaxantes e contráteis do tecido erétil e da bexiga urinária e a medida da pressão intracavernosa e cistometria (in vivo). Além de, elucidar a contribuição dos tratamentos crônicos com agentes que atuam de maneira dependente e independente de NO (sildenafil e BAY 41-2272, respectivamente), procurando restaurar a via de sinalização NO-GCs-GMPc. (AU)
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