Resumo
A doença diarreica é um dos principais problemas de saúde pública mundial, causando cerca de 1,5 milhão de mortes anuais em crianças abaixo de cinco anos de idade, sendo que, cerca de 30 a 40% dos episódios de diarreia aguda no mundo são causados pelas Escherichia coli diarreiogênicas, destacando-se os patotipos responsáveis pela diarreia aguda/diarreia do viajante e colite hemorrágica/síndrome hemolítica urêmica, E. coli enterotoxigênica (ETEC) e E. coli produtora de toxina de Shiga (STEC), respectivamente. ETEC produz as toxinas termoestável (ST) e termolábil (LT) e STEC produz as potentes citotoxinas Stx. Essas toxinas são os principais fatores de virulência, portanto, excelentes alvos para o diagnóstico da diarreia causada por estes patógenos e para a terapia da intoxicação. Dentre as melhores ferramentas tanto para o desenvolvimento de testes imunossorológicos como para a terapia de neutralização, destacam-se os anticorpos. A partir da tecnologia do DNA recombinante é factível o desenvolvimento de anticorpos recombinantes de maneira mais rápida e com baixo custo, como fragmentos scFv e Fab que podem, inclusive, serem produzidos em bactérias, um avanço frente aos monoclonais produzidos por hibridomas que demandam tempo e mão de obra especializada para sua obtenção. Ao longo dos anos, nosso grupo de pesquisa no laboratório de Bacteriologia do Instituto Butantan, vêm obtendo com sucesso anticorpos, incluindo os recombinantes, e padronizando métodos de diagnóstico para os patotipos epidemiologicamente importantes de Escherichia coli diarreiogênica. Nesse contexto, o presente projeto tem como objetivo a obtenção de moléculas ideais (estáveis, de fácil produção e baixo custo) para o diagnóstico e terapia das intoxicações pelas enterotoxinas LT, ST e Stx. Com relação às toxinas LT/ST a proposta será aperfeiçoar os anticorpos recombinantes anti-LT/ST anteriormente obtidos em nosso laboratório - com o objetivo de otimizar sua obtenção, estabilidade e meia vida, para assim possuir uma ferramentas mais eficiente para o imunodiagnóstico de ETEC - e a seleção de ligantes Fab que neutralizem as toxinas, permitindo assim, o tratamento da intoxicação deste patotipo. Já com relação aos recombinantes anti-Stx, temos em mãos, excelentes anticorpos recombinantes que precisam ser validados como ferramentas no diagnóstico de STEC (scFv) e testados em modelos animais in vivo para analisar seu potencial terapêutico na intoxicação de Stx e prevenção da síndrome hemolítica urêmica (Fab/IgG4). (AU)
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