Resumo
A força das interações ecológicas entre espécies é fundamental para a determinação da dinâmica de comunidades e do funcionamento dos ecossistemas. Em ambientes marinhos, a mediação ambiental da força das interações ecológicas pode ser influenciada por estresse térmico, ação de ondas, ressurgência, correntes oceânicas e outros fatores que podem atuar através de efeitos no nível populacional ou determinando a força das interações per capita. Entretanto, estes fatores emergem em diferentes escalas espaciais e têm sido um desafio para os ecólogos escalonar resultados de experimentos locais para o entendimento regional e de variação geográfica no contexto ambiental. Em um mundo com frequentes mudanças ambientais, o entendimento de como fatores ambientais em diversas escalas espaciais interagem e de como modificam tanto os parâmetros populacionais quanto a força das interações per capita torna-se necessário para que possamos desenvolver a capacidade preditiva e gerir ambientes naturais. Neste projeto propomos usar os costões rochosos na costa brasileira, dos Estados de São Paulo até Espírito Santo para testar se o efeito do gradiente latitudinal de temperatura na interação das espécies é modificado regionalmente pela ressurgência e outros fatores ambientais de meso-escala. Utilizaremos um sistema de presa-predador do entremarés, formado por cracas/mexilhões e gastrópodes para avaliar como parâmetros populacionais, como a abundância e tamanho dos indivíduos alteram em relação aos gradientes de temperatura, produtividade primária, recrutamento e exposição as ondas através de um estudo observacional com amostragem em larga escala. A interação entre presas e predadores será também avaliada pela transferência de matéria orgânica na cadeia trófica através de análises isotópicas. Além disso, experimentos em campo serão utilizados para avaliar a variação da força das interações per capita em escalas espaciais local e regional. Em escala local, será avaliada a importância relativa de fatores ambientais (por ex. exposição as ondas) e biológicos (por ex. densidade de presa) na força da interação entre os gastrópodes e mexilhões, enquanto em escala regional testaremos como a ressurgência modifica o gradiente latitudinal de temperatura. Com base nestes resultados, esperamos determinar como mudanças ambientais podem alterar as interações presa-predador na zona costeira. (AU)
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