Resumo
O sobreuso ocusal ou oclusão traumática como desencadeador ou agravante de disfunções da articulação temporomandibular dolorosas representa um dos principais temas polêmicos na área odontológica. Estudos prévios demonstraram que a oclusão traumática experimental induzida por coroas metálicas induz um quadro de hipernocicepção inflamatória de longa duração na articulação temporomandibular, aumento da expressão de canais de sódio voltagem dependentes do tipo Nav 1.7 nas células neuronais no gânglio trigeminal, e reação inflamatória no periodonto favorecendo a perda óssea. A interação cruzada entre o sistema neural e o sistema imunológico modifica o perfil inflamatório e fenotipagem das células envolvidas facilitando a progressão da degeneração dos tecidos, no entanto, os mecanismos ainda são pouco esclarecidos. O objetivo deste projeto visa caracterizar a cinética neuromimunológica dos tecidos orofaciais, particularmente o tecido periodontal e linfonodos submandibulares, e áreas de controle do sistema nervoso central, impactados pela oclusão traumática experimental. Para isto será avaliado o impacto do sobreuso oclusal por meio de um modelo pré-estabelecido de oclusão traumática experimental induzida por coroa metálica no 1º molar inferior direito de ratos Wistar os seguintes parâmetros: (I) o perfil imunológico do periodonto gengival e dos linfonodos submandibulares frente ao processo neuroinflamatório persistente induzido pela oclusão traumática experimental; e (II) o perfil neuroimunológico da sensibilização do gânglio trigeminal e sistema nervoso central (subnúcleo caudalis e cerebelo) induzida pela oclusão traumática experimental e possíveis alterações nos padrões das respostas comportamentais vinculadas a capacidade de aprendizagem, memória e locomoção. A compreensão dos mecanismos envolvidos na cinética neuroimunológica de condições degenerativas persistentes dos tecidos orofaciais submetidos ao sobreuso oclusal é peça chave para uma revisão da abordagem clínica de pacientes com esta condição e validação de instrumentos de avaliação mais robustos na condução de estudos clínicos. É válido ressaltar que condições inflamatórias dolorosas dos tecidos orofaciais é a causa mais comum de desenvolvimento de dor crônica. (AU)
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