Resumo
As bases biológicas dos estados emocionais vinculados ao prazer e a aversão ainda hoje são muito pouco compreendidas. Formulações clássicas associam o sistema meso-córtico-límbico à modulação das respostas emocionais induzidas por estímulos que produzem prazer. Deste sistema destacam-se o núcleo accumbens (NAc), a área tegmental ventral e o córtex pré-frontal. Por outro lado, outras áreas cerebrais, tais como a amígdala, a substância cinzenta periaquedutal, o locus coeruleus e o hipotálamo têm sido implicados na modulação de processos aversivos. Em trabalhos anteriores de nosso laboratório temos demonstrado de forma consistente que a modulação neuronal dos estados emocionais negativos induzidos pela abstinência de drogas de abuso e aqueles promovidos por estímulos que produzem medo parecem se sobrepor em estruturas do tronco encefálico. Trabalhos recentes, entretanto, tem sugerido a importância das estruturas telencefálicas citadas acima como substratos biológicos tanto do prazer quanto da aversão, particularmente o NAc. Neste contexto, merece destaque a importância que o enriquecimento ambiental assume como agente atenuador tanto dos efeitos deletérios do estresse sobre a cognição quanto sobre a capacidade das drogas de abuso de levar o indivíduo à dependência. Sabe-se que a exposição a um ambiente enriquecido durante o desenvolvimento facilita a aprendizagem em uma variedade de testes comportamentais, além de promover um claro efeito "protetor" sobre a vulnerabilidade ao uso de drogas. Sabe-se também que a grande a maioria dos indivíduos que experimentam os efeitos de uma droga de abuso não se tornam dependentes. Por outro lado, um dos mais importantes aspectos a serem elucidados nessa área de pesquisa é determinar quais os fatores que, associados as diferenças individuais, determinam a vulnerabilidade do indivíduo ás drogas de abuso. As características genéticas são conhecidas por atuarem fortemente nas desordens vinculadas ao uso de substâncias psicoativas. Entretanto, os fatores não-genéticos, como o contexto social e tipo de ambiente no qual o indivíduo se desenvolve parecem também influenciar, de forma crítica, sua vulnerabilidade aos efeitos reforçadores dessa classe de substâncias. (AU)
| Matéria(s) publicada(s) na Agência FAPESP sobre o auxílio: |
| Mais itensMenos itens |
| TITULO |
| Matéria(s) publicada(s) em Outras Mídias ( ): |
| Mais itensMenos itens |
| VEICULO: TITULO (DATA) |
| VEICULO: TITULO (DATA) |