Resumo
A região neotropical concentra a maior biodiversidade do nosso planeta. O Brasil ocupa uma posição de destaque neste cenário por abrigar o maior número de espécies, particularmente de mamíferos, desta região. Entretanto, pouco ainda se conhece desta diversidade, incluindo roedores, uma vez que não há dados precisos a respeito da delimitação, quantidade e distribuição de espécies, gêneros e categorias taxonômicas mais elevadas, bem como registros sobre preferências por habitats, padrões reprodutivos, relações de parentesco ou história evolutiva dos grupos. Com o objetivo geral de estudar a fauna de pequenos roedores, buscando acessar a real biodiversidade brasileira, compreender suas relações filogenéticas e os processos evolutivos em diversos biomas, nosso projeto propõe uma colaboração estreita entre os campos da citogenética, sistemática molecular, sistemática tradicional e biogeografia, pois, de modo geral, tem-se constatado que somente estudos interdisciplinares permitirão um conhecimento mais preciso acerca da diversidade cromossômica e gênica neste grupo, suas relações de parentesco e história evolutiva. Nossa principal atuação será no desenvolvimento de análises citogenéticas, empregando técnicas de bandamento cromossômico e hibridação 'in situ' fluorescente (FISH) com sondas específicas para estudos em roedores brasileiros. Neste grupo de vertebrados, várias espécies novas têm sido detectadas com base na caracterização cromossômica, uma vez que o cariótipo desempenha o papel de marcador específico, particularmente em casos de espécies crípticas. Assim, além dos dados cromossômicos, com a definição de número diploide (2n), morfologia, estrutura, organização e localização de sequências específicas, a abordagem citogenética tem levantado e também solucionado vários problemas de evolução cromossômica em grupos afins e contribuído para a citotaxonomia. Desenvolveremos também estudos moleculares, com base no sequenciamento de genes do DNA mitocondrial (especialmente o citocromo b) e, se necessário, do gene nuclear IRBP (Interphotoreceptor Retinoid Binding Protein), os quais têm fornecido importantes contribuições para a sistemática molecular, permitido acessar reconstruções filogenéticas (desde o nível de espécie até família) e o desenvolvimento de estudos filogeográficos. No Brasil, existem exemplos citogenéticos e filogenéticos clássicos entre os pequenos roedores que merecem a nossa atenção. Nos akodontinos, em que o cariótipo representa um marcador imprescindível para a caracterização de algumas espécies, o polimorfismo cromossômico de A. cursor, com as diferentes frequências dos rearranjos cromossômicos ao longo de sua área de distribuição geográfica na Mata Atlântica, tem contribuído para a compreensão do padrão de dispersão da espécie e de diferenças populacionais. Entre os orizominos, que representam um grupo extremamente complexo e cujo número de espécies e as relações de parentesco ainda são muito discutíveis, várias espécies novas têm sido detectadas, sendo o cariótipo e os dados moleculares (preponderantemente o citocromo b) fundamentais para a identificação de diferentes entidades taxonômicas; exemplos podem ser constatados em oryzomys dos grupos nitidus, subflavus e capito, entre outros; em oligoryzomys dos grupos nigripes, fulvescens e microtis; em Nectomys squamipes e N. rattus; oecomys, etc. Da mesma forma, novas espécies também têm sido detectadas dentre os equimídeos e também com base em cariótipos e sequenciamento de DNA. De modo geral, as relações de parentesco têm sido melhor compreendidas nos diferentes grupos com a integração das várias áreas do conhecimento (citogenética, biologia molecular, biogeografia, sistemática). (AU)
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