| Processo: | 18/13697-3 |
| Modalidade de apoio: | Bolsas no Brasil - Doutorado |
| Data de Início da vigência: | 01 de novembro de 2018 |
| Data de Término da vigência: | 28 de fevereiro de 2022 |
| Área de conhecimento: | Linguística, Letras e Artes - Letras |
| Pesquisador responsável: | Jefferson Cano |
| Beneficiário: | Ligia Cristina Machado |
| Instituição Sede: | Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil |
| Bolsa(s) vinculada(s): | 19/05283-7 - Raça, imprensa e literatura no mundo transatlântico do século XIX, BE.EP.DR |
| Assunto(s): | Literatura francesa Literatura brasileira Abolicionismo França (país) Estados Unidos Brasil História do Século XVIII Século XIX |
| Palavra(s)-Chave do Pesquisador: | Literatura abolicionista | literatura americana | Literatura Brasileira | Literatura francesa | Literatura Oitocentista | Questões Raciais | História e historiografia literária |
Resumo Esta pesquisa analisará um conjunto de obras literárias escritas na França, nos Estados Unidos e no Brasil no contexto transatlântico de desenvolvimento das defesas abolicionistas durante o Oitocentos. No fim do século XVIII, a Revolução Francesa (1789) e a propagação dos ideais de liberdade e de igualdade acabaram fortalecendo princípios ideológicos que levaram à Revolução do Haiti (1791). Nos Estados Unidos e no Brasil desenvolveu-se um sentimento de medo e temor por conta da natureza escrava dessa revolução e da forte presença desse regime em suas sociedades. O medo de que os escravos americanos pudessem se inspirar no Haiti motivou a longa demora para o reconhecimento deste Estado como país independente pelos americanos. Apesar do Haiti ter sido reconhecido pela França em 1825 ele só conquistou o reconhecimento americano em 1862, não coincidentemente quando a Guerra Civil Americana já havia começado. No Brasil, sentimento igual preocupava a Câmara dos deputados durante as discussões sobre a proibição do tráfico de africanos, nos anos de 1840 e 1850. Em pesquisa recentíssima Marco Morel investiga como as notícias sobre a revolução haitiana chegaram ao Brasil na primeira metade do oitocentos. O autor mostra também as conexões transnacionais e o fluxo de ideias que ocorriam através de textos que atravessavam o atlântico. Neste contexto o que se procura é entender a produção literária abolicionista que ganhou impulso no século XIX, mesmo momento em que começaram a se desenvolver as teorias raciais que procurariam determinar o espaço e a interação dos negros, principalmente os da diáspora, com os brancos colonizadores. É praticamente impossível desvincularmos essas questões do momento pós-revoluções vivido pelos dois lados do Atlântico. Tendo-se em vista a passagem do tempo como trabalhada por Braudel, essa pesquisa pegará os dois marcos da abolição: a revolução do Haiti (1791) e a abolição brasileira (1888), acontecimento que leva ao fim da escravidão gerada pelo tráfico transatlântico de pessoas. No meio desse período, a abolição americana e a publicação do best-seller A cabana do pai Tomás (1852), de Harriet Stowe, tiveram um impacto substancial na produção literária abolicionista brasileira. Este foi o primeiro romance americano com um impacto tão grande fora de seu país natal. Um milhão de cópias vendidas apenas no primeiro ano de publicação na Inglaterra e quatro traduções concomitantes em jornais franceses; apenas a bíblia havia vendido tantos livros. Em 1853 o romance de Stowe chegou ao Brasil, época em que a literatura brasileira ainda buscava seu formato de afirmação nacional. Essas conexões transnacionais aparecem em vários momentos da literatura brasileira. Gonçalves Dias faz referência direta ao livro Bug-Jargal (1826) de Victor Hugo em uma de suas poesias. Diversas peças de teatro e narrativas publicadas em jornais são uma clara releitura do romance A cabana do pai Tomás. José de Alencar se apropriou desse romance nos anos 1850 ao escrever O demônio familiar e Mãe, assim como Bernardo de Guimarães e Joaquim Manuel de Macedo, de diferentes formas, estavam pensando neste livro ao escreverem A escrava Isaura (1875) e Vítimas Algozes (1869), respectivamente. Em 1892, Júlia Lopes de Almeida é elogiada por A família Medeiros como uma obra que merecia ser chamada de A cabana do pai Tomás brasileira. Esses são apenas alguns exemplos de como o romance norte-americano publicado em 1852 teve ressonâncias durante todo o resto do século no Brasil. Assim, com uma seleção que pretende levar em conta a circulação de obras e a participação de minorias na produção literária abordaremos todo o século XIX tendo em mente propostas teóricas atuais que veem os acontecimentos históricos no contexto Atlântico e não apenas nacionais. | |
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