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Investigação do potencial neurotrópico dos vírus SARS-CoV-2 e Oropouche em modelos in vitro e ex vivo do sistema nervoso central humano

Texto completo
Autor(es):
Glaucia Maria de Almeida
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Ribeirão Preto.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (PCARP/BC)
Data de defesa:
Membros da banca:
Adriano Silva Sebollela; Patricia Cristina Baleeiro Beltrao Braga; Felipe Roberti Teixeira
Orientador: Adriano Silva Sebollela; Eurico de Arruda Neto
Resumo

Os vírus classificados como neurotrópicos são capazes de causar doenças no nervoso, como encefalites e meningites. Nos últimos anos, casos de infecções por SARS-CoV-2 e Oropouche (OROV), associados a complicações neurológicas, tem sido relatados. Nessa mesma linha, evidências da presença do genoma de SARS-CoV-2 no cérebro de indivíduos que morreram de COVID-19, e do genoma de OROV no líquido cefalorraquidiano de indivíduos com Febre de Oropouche foram descritas, sugerindo que esses vírus podem invadir o sistema nervoso central (SNC). Contudo, a capacidade de SARS-CoV-2 e OROV de infectar células do SNC, assim como as alterações neuropatológicas decorrentes dessas infecções potenciais, ainda não foram bem estabelecidas. Neste trabalho, investigamos a susceptibilidade, a permissividade, o tropismo celular e a neurovirulência desses vírus em modelos do SNC, incluindo culturas ex vivo de fatias de cérebro humano. Os resultados demonstraram que SARS-CoV-2 infecta preferencialmente astrócitos e induz resposta pró-inflamatória com aumento da expressão das citocinas IL-6, IL-8 e TGF-β. Validamos a susceptibilidade de fatias de cérebro humano à infecção por OROV, e utilizando microscopia de expansão, uma técnica inovadora de super-resolução, visualizamos de forma detalhada a distribuição dos antígenos virais no citoplasma de células infectadas. Utilizando uma linhagem microglial humana, confirmamos a susceptibilidade e permissividade dessas células à infecção por OROV, inicialmente descrita por nosso grupo em cultura de tecido. Além disso, a infecção por OROV em fatias de cérebro humano induziu resposta pró-inflamatória com aumento de marcadores de ativação microglial e dos níveis de Tau fosforilada, um marcador de neurodegeneração. Comparamos o potencial neurotrópico de OROV com o do vírus herpes simplex do tipo 1 (HSV-1), um dos principais causadores de encefalites em adultos. Observamos que a susceptibilidade das fatias de cérebro humano à infecção por OROV e HSV-1, assim como suas capacidades replicativas, são similares. Tanto OROV quanto HSV-1 foram capazes de induzir forte resposta pró-inflamatória, indicada pelo aumento dos níveis de TNF-α e IL-1β. Nosso conjunto de resultados demonstra de forma robusta o potencial de infecção e dano tecidual de SARS-CoV-2 e OROV no SNC humano, e reforça a relevância do uso de modelos experimentais derivados de cérebro humano adulto para estudos do impacto de infecções virais no SNC maduro. (AU)

Processo FAPESP: 21/12263-2 - Alterações teciduais-moleculares associadas a infecções virais em culturas de fatias de cérebro humano adulto
Beneficiário:Glaucia Maria de Almeida
Modalidade de apoio: Bolsas no Brasil - Doutorado