Resumo
Atualmente, os efeitos deletérios promovidos pelo baixo peso ao nascimento têm sido colocados em evidência devido às graves repercussões detectadas nas fases iniciais da vida, e também aos diversos trabalhos na literatura que demonstraram que, futuramente, essas crianças passam a desenvolver uma série de enfermidades, como a hipertensão arterial, cardiopatias, diabetes do tipo 2 e nefropatias graves. Recentemente, demonstramos que crianças com histórico de baixo peso ao nascimento apresentaram quadro clínico de hipertensão arterial associado à presença de disfunção endotelial. Além disso, diagnosticamos nessas crianças elevação tanto da peroxidação lipídica quanto dos níveis circulantes de ácido úrico e homocisteína, sendo que essas alterações foram acompanhadas por diminuição da concentração de óxido nítrico. A constatação de alterações significativas em vários sistemas, associadas à presença de fatores de risco em um grupo de crianças tão jovens nos remete a uma maior preocupação em relação ao futuro dessa população, que estará sendo exposta precocemente à hipertensão arterial e também a outras doenças vasculares assintomáticas e de efeitos devastadores. Torna-se de extrema importância o estudo e a compreensão dos efeitos tardios do retardamento do crescimento fetal, bem como dos mecanismos de imprinting genômico decorrentes das alterações ocorridas in utero. Portanto, esse projeto destina-se a investigar em crianças com idade entre 7 e 13 anos as possíveis causas epigenéticas e o envolvimento de polimorfismos ocorridos na via da homocisteína e do óxido nítrico síntese endotelial que poderiam estar ligados ao desenvolvimento tardio de doenças cardiovasculares. (AU)
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