Resumo
Espécies Reativas de Oxigênio (EROs) são produtos gerados pela redução incompleta do oxigênio durante processos metabólicos, exposição a agentes externos ou como resposta secundária a diversas enfermidades e que em excesso jpodem causar diversos prejuízos a tecidos e células. No decorrer da evolução, as células desenvolveram uma série de mecanismos antioxidantes eficazes, os quais incluem defesas enzimáticas e não-enzimáticas. Entre os mecanismos enzimáticos, as peroxirredoxinas (Prdxs) destacam-se pela abundância e grande reatividade com os seus substratos. Em humanos já foram descritas seis diferentes Prdxs que estão localizadas em diferentes compartimentos celulares, as quais apresentam funções importantes em diversas cascatas de sinalização celular, sendo também importantes antioxidantes, protegendo a célula de possíveis danos oxidativos. Foi demonstrado que em células de mamíferos expostas a altos teores de oxigênio molecular, como nos eritrócitos, as Prdx são muito abundantes podendo ser encontradas tanto na forma de dímeros (peroxidásica) quanto na forma de complexos de alto peso molecular que possuem atividade de chaperona. Particularmente, nestas células esta proteína é tão abundante que só perde em concentração para as globinas, evidenciando um provável papel fundamental neste tipo celular. Apesar disso, existem poucos trabalhos na literatura relacionando algumas destas proteínas com o processo de diferenciação eritróide e com as diversas doenças eritrocitárias, principalmente em relação às anemias hemolíticas como, por exemplo, na deficiência glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD), esferocitose hereditária, hemoglobinúria paroxística noturna (HPN), alfa e beta talassemias. Nestas patologias, os danos oxidativos gerados intracelularmente e que causam a hemólise das células, podem ser agentes desencadeadores da formação dessas espécies em outros tipos celulares, uma vez que estas células possuem acesso a todos tecidos. Portanto, esse trabalho visa avaliar o papel desempenhado pelas peroxiredoxinas durante a diferenciação de células eritróides e em pacientes que apresentam as doenças acima relacionadas, colaborando para um melhor entendimento da relação entre estas proteínas e a geração de EROs, identificando possíveis alvos que auxiliem no manejo da doença e melhora na sobrevida desses pacientes. (AU)
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