Resumo
As mutações de ganho de função no gene KRAS levam a uma atividade constitutiva da proteína, que consequentemente está associada a processos de tumorigênese e progressão tumoral de pâncreas, colorretal e pulmão. O desafio na criação de terapias contra o KRAS se estende há algumas décadas, devido a complexidade estrutural desta proteína. Entretanto, após a descoberta de porções drogáveis em algumas das variantes de KRAS, tornou-se possível projetar inibidores com potência, seletividade e biodisponibilidade melhoradas como o Sotortasib para a variante G12C, e MRTX1133 para a variante G12D. Entretanto, os mecanismos moleculares envolvidos na resistência e falha representam agora o maior desafio atual para está modalidade de tratamento, e necessitam ser compreendidos. O objetivo do projeto é investigar de forma pré-clínica as alterações moleculares que levam a falha na resposta às terapias contra KRAS já aprovada (anti-KRAS G12C), e aquelas em fases finais de aprovação (anti-KRAS G12D), buscando uma solução terapêutica para resistência adquirida a estes inibidores. Para isso, o projeto será dividido em 3 etapas: (1) Criação dos modelos de resistência aos inibidores de KRAS; (2) Busca por marcadores de resistência às terapias anti-KRAS (3) Avaliação de combinações terapêuticas capazes de restaurar a sensibilidade aos inibidores de KRAS. Um total de 4 linhagens tumorais mutantes para KRAS (G12C ou G12D) serão expostas continuamente aos inibidores de KRAS (Sotorasibe e MRTX1133), para criação de clones resistentes, onde serão avaliadas as alterações moleculares no perfil de expressão de genes relacionados a vias de proliferação e resposta imune pela plataforma NanoString. De forma complementar, a expressão diferencial de proteínas dos clones resistentes em relação aos sensíveis, será avaliada por arranjos proteicos das vias de sinalização mediadas por KRAS e de resposta imune. Os achados moleculares in vitro serão validados em amostras tumorais de pacientes refratários à terapia anti-KRAS tratados nesta instituição. Combinações terapêuticas serão propostas para controlar a resistência aos inibidores de KRAS, sendo avaliada por meio de ensaios celulares de proliferação, invasão, migração, formação de colônia, análise do ciclo e morte celular em modelos celulares 2D, 3D e em modelos xenográficos. Esperamos que esta plataforma de investigação pré-clínica possa identificar os biomarcadores relacionados às falhas da terapia anti-KRAS, e demonstre as melhores combinações terapêuticas para controle do oncogene KRAS em pacientes ainda sem perspectivas de tratamento. (AU)
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