Resumo
O Streptoccus pneumoniae é um diplococo Gram-positivo, cujas formas encapsuladas normalmente são patogênicas. É um dos principais agentes causadores de diversas infecções do trato respiratório como a pneumonia, otite média, e infecções invasivas, como a meningite e sepsis. São descritos 90 sorotipos que diferem principalmente na estrutura do polissacarídeo da cápsula (PS). Dentre esses, 23 sorotipos são os mais prevalentes. As vacinas atualmente em uso são constituídas de polissacarídeo livres ou conjugados a uma proteína carreadora. Uma das vacinas inclui uma formulação constituída de PS livres de 23 sorotipos mais prevalentes na Europa e Estados Unidos, apresentando cobertura de 90% contra pneumonia em adultos e idosos. A conjugação do polissacarídeo a uma proteína o transforma de um antígeno que induz uma resposta imune timo-independente para timo-dependente, e que, portanto, induz uma resposta imune em crianças abaixo de 2 anos, que é o principal grupo de risco. Atualmente está licenciada uma vacina 7-valente contendo PS de 7 sorotipos conjugados à toxina diftérica mutada, CRM197. Esta vacina apresenta uma cobertura de 85% nos Estados Unidos, mas apenas 60% no Brasil. A grande dificuldade das vacinas de PS conjugadas está no processo de conjugação, que envolve de várias etapas, onde o rendimento final é raramente superior a 30%. Isto é mais importante no caso do S. pneumoniae, onde um grande número de sorotipos são patogênicos e a prevalência varia com a região geográfica. Diversos antígenos protéicos vêm sendo estudados como alternativa às vacinas atuais: Proteína de superfície de pneumococo A (PspA), Proteína de superfície de pneumococo C (PspC), Pneumolisina (Ply), Neuraminidase A (NamA) e Antígeno de superfície de pneumococo A (PsaA). Até o momento, nenhuma proteína única demonstrou capacidade de induzir proteção comparável às vacinas conjugadas. Os ensaios em animais têm mostrado que, para a indução de uma elevada proteção, talvez seja necessário uma mistura de antígenos protéicos. Os resultados mais significativos foram obtidos com combinações de PspA, PspC, PsaA e Pneumolisina. PspA e Ply foram avaliadas como carreadoras em vacinas conjugadas. Observou-se que a Ply contribuiu para o aumento da indução de anticorpos IgG anti-PS; entretanto, o aumento da atividade opsonofagocítica desses anticorpos não foi equivalente. Uma vacina conjugada contendo PS de 2 ou 3 sorotipos conjugados a proteínas do pneumococo como carreadoras, poderia aumentar a cobertura vacinal com poucos componentes antigênicos. A formulação deste conjugado aliado ao desenvolvimento de um método de conjugação em que se obtenha um rendimento de síntese acima do preconizado (em torno de 30%), poderia viabilizar a sua ampla utilização mesmo em países em desenvolvimento como o Brasil. Nesse contexto o presente projeto tem como objetivo um estudo abordando diferentes aspectos relacionados ao desenvolvimento uma vacina anti-pneumocócica composta de conjugados PS-PspA, ao fim do qual espera-se que possamos ter uma definição da sua formulação. (AU)
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