Resumo
O diagnóstico da doença de Alzheimer (DA), enorme problema de saúde pública, é impreciso e tardio (visto que os processos neurodegenerativos se iniciam anos antes do surgimento dos sintomas). A validação de biomarcadores para a DA tem potencial para viabilizar diagnóstico precoce e novos tratamentos. Este projeto visa o estudo multidisciplinar e translacional do acúmulo cerebral de peptídeo b-amiloide (achado patológico mais característico da DA) e alterações cerebrais associadas (macroscópicas e moleculares), agregando vários cientistas 1A-B CNPq e outros pesquisadores, integrantes de 11 pós-graduações (7 de nível 6-7 CAPES) em 4 centros da USP: a Faculdade de Medicina de São Paulo (FMUSP), a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), e os Institutos de Ciências Biomédicas (ICB) e de Psicologia (IP). Realizaremos estudos clínicos com amostras representativas, de forma integrada com estudos de neurociência básica detalhando processos moleculares por trás de mudanças em biomarcadores associadas à evolução da DA e ao seu tratamento. Tais estudos envolverão: a inauguração no Brasil do uso da tomografia por emissão de pósitrons (PET) para neuroimagem molecular, usando o traçador de b-amiloide cerebral 11C-PIB; investigações de ressonância magnética (RM) e de outros biomarcadores (líquor/sangue) sobre envelhecimento normal e patológico em 500 idosos (sujeitos com comprometimento cognitivo leve, DA e controles) integrando os pólos FMUSP e FMRP; aplicações de métodos inovadores de reconhecimento de padrões para extração de dados estatísticos avaliando o valor relativo dos biomarcadores em termos de acurácia diagnostica e delineando "assinaturas neurobiológicas" individualizadas, numa perspectiva de Medicina Personalizada; e experimentos com modelos animais de DA e culturas neuronais investigando a exposição ao peptídeo b-amiloide e mudanças em processos bioquímicos e eletrofisiológicos relacionados. Ao fomentar a interação de pesquisadores do nosso núcleo a curto e longo prazo, almejamos exponenciar o impacto de publicações, criar condições para ensaios clínicos inovadores com fármacos modificadores da doença, e promover inovação tecnológica com novos processos diagnósticos e patenteamento de fármacos. (AU)
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