Resumo
A fisiologia evolutiva é uma disciplina que integra e fisiologia comparativa com elementos de ecologia, evolução, sistemática e comportamento animal, com o fim de entender como ocorre a evolução dos carateres fisiológicos. Pelo seu carater integrativo, a fisiologia evolutiva ocupa um espaço dominante na discussão sobre adaptação animal e tem sido muito influente nos rumos da fisiologia comparativa contemporânea. Contudo, pelo fato de ser uma disciplina jovem, tanto no conceitual quanto no metodológico, a disciplina exibe ainda questões fundamentais que devem ser estudadas para garantir o progresso da mesma. Um dos assuntos menos entendidos é a natureza da variação fisiológica, pois a fisiologia comparativa tem priorizado a pesquisa sobre medidas de tendência central das variáveis fisiológicas, ao passo que tem ignorado a discussão sobre a variância. Nos estudos fisiológicos, por exemplo, a variação individual, elemento fundamental na visão neodarwinista da evolução por seleção natural, ainda é agrupada freqüentemente junto às fontes de variação não explicada. Entretanto, para entender como a fisiologia evolui, é necessário entender o escopo, origem e implicações da variação fisiológica, a relação entre esta variação e a ecologia dos animais, e o papel de diversas fontes de variação fisiológica nos diferentes níveis de organização nos que esta pode ser detetada. Esta proposta enfoca a variação da fisiologia de tetrápodos em diferentes níveis de organização, visando entender as suas relações com a ecologia, evolução e distribuição dos animais. A proposta gira em torno de cinco perguntas abrangentes e conceitualmente interligadas, a serem estudadas no marco de gradientes ecológico-comportamentais. O estudo da variação da fisiologia ao longo de gradientes ecológicos visa limitar projeto a problemas caraterizados por uma sólida interação entre ecologia, evolução e fisiologia, o que deverá facilitar a contextualização e interpretação dos resultados. Especificamente, as perguntas salientadas são: 1. Qual a contribuição dos ajustes fisiológicos e comportamentais para a expansão distribucional de vertebrados ectotérmicos?; 2. Quais os mecanismos de adaptação fisiológica simultânea a intra-específica e mais de uma variável ecológico-comportamental?; 3. Existe aditividade da variância fisiológica nos ajustes simultâneos a covariáveis ambientais?; 4. Quais as correlações ecológicas da variância fisiológica em diferentes níveis de organização?; 5. Qual o escopo da plasticidade fenotípica e do potencial para diferenciação morfo-fisiológica intra-genérica em vertebrados ectotérmicos? Associados a cada uma destas cinco perguntas, são apresentados propostas de sub-projetos que focalizam em contextos específicos as perguntas em questão. Os modelos selecionados são principalmente tetrápodos ectotérmicos (anfíbios e lagartos), mas alguns projetos específicos utilizam outros modelos animais. A seleção dos sub-projetos e modelos foi norteada principalmente pela sua adequação para esclarecer as cinco perguntas propostas, mas também por outros fatores como experiência previa dos participantes e infra-estrutura disponível. A proposta envolve atividades no campo, pesquisa no laboratório e trabalhos teóricos, e utilizará, quando pertinente, enfoques comparativos formais na análise dos dados. (AU)
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