Resumo
A perda de pele e anexos, seja por feridas não cicatrizantes ou provenientes de complicações pós-cirúrgicas, excisão de hérnias complicadas, câncer ou queimaduras graves, têm criado uma grande expectativa por novas tecnologias na área de engenharia de tecidos. Os avanços nessa área têm levado ao desenvolvimento de vários produtos (sintéticos e biológicos), com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos pacientes por meio da restauração e manutenção dos tecidos, da função dos tecidos e órgãos transplantados. Designados como substitutos de pele, os equivalentes da epiderme e derme têm sido investigados e usados clinicamente há alguns anos. Contudo, materiais biológicos acelulares, que sejam imunologicamente compatíveis e se adequem ao reparo de peles, tanto como preenchimento (derme) ou suporte e proteção (derme/epiderme), precisam ser criteriosamente implementados. Desse modo, o nosso objetivo será padronizar uma técnica economicamente viável de descelularização de pele, desenvolver matrizes acelulares (scaffolds) e, caracterizá-las do ponto de vista bioquímico, biomecânico e estrutural. Para avaliar a biocompatibilidade dos scaffolds faremos um primeiro delineamento experimental com a implantação subcutânea em ratos. Em outro experimento, transplantes dos scaffolds serão realizados, utilizando ou não tratamentos com a proteína anti-inflamatória anexina A1 (AnxA1) e o imunossupressor ciclosporina. Os seguintes aspectos serão avaliados: a produção e avaliação dos scaffolds, a biocompatibilidade dos implantes/transplantes; a expressão da proteína AnxA1 em leucócitos localizados nos heteroenxertos; o processo de apoptose e neovascularização por meio respectivamente das expressões de AnxA5 e fator Von Willebrand; o potencial regenerativo e imunogênico por meio do padrão fenotípico macrofágico M1/M2; a expressão gênica dos fatores de crescimento FGF e TGF; a quantidade dos leucócitos circulantes no sangue periférico e, a dosagem de citocinas pró-inflamatórias por ensaios multiplex. A AnxA1 será avaliada como um potencial recurso terapêutico para reduzir o processo inflamatório e melhorar o processo regenerativo e cicatricial do heteroenxerto, possivelmente com menos efeitos colaterais comparado a terapia tradicional. (AU)
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