Resumo
Embora a etiologia da maioria das doenças autoimunes não seja conhecida, a quebra da tolerância imunológica a antígenos próprios é um mecanismo gerador comum às essas respostas imunes deletérias. Várias estratégias têm sido propostas para modular as respostas autoimunes, entre as quais se destacam a transferência adotiva de células tolerogênicas e/ou o tratamento com citocinas reguladoras. Além disso, vários estudos vêm mostrando que a ingestão de antígenos proteicos da dieta pode gerar efeitos indiretos sobre o sistema imune do hospedeiro, caracterizados pela supressão da resposta imune a proteínas antigenicamente não relacionadas, conhecida como supressão bystander. Com base nesse pressuposto, analisaremos os efeitos indiretos da tolerância oral induzida pela ingestão de ovalbumina (OVA) na colite induzida por TNBS, bem como os efeitos da transferência adotiva de células dendríticas tolerogênicas para esses animais. Ainda no contexto da tolerância, trabalhos atuais tem apontado papel relevante da molécula CTLA-4 na expressão de indoleamina 2,3- dioxigenase (IDO), uma enzima produzida por células dendríticas, que atua sobre o triptofano e parece exercer efeito regulador na resposta imune. Por essa razão, avaliaremos também os efeitos da transferência adoptiva de células dendríticas derivadas da medula óssea (BMDCs) tratadas com CTLA4-Ig e com modulador da IDO. Após os tratamentos, os seguintes parâmetros serão avaliados: variações de peso corporal; histologia dos tecidos alvos; proliferação celular; produção de citocinas e expansão de células T reguladoras CD25+Foxp3+ e células TH17 em culturas de esplenócitos. A nossa hipótese consiste em que o contexto gerado pela resposta imunológica aos antígenos da dieta, bem como a regualação da expressão de IDO, pode atenuar os danos observados em doenças autoimunes, tanto as sistêmicas como órgão-específicas. Os mecanismos envolvidos na redução do dano podem estar relacionados à atuação de células T reguladoras (Treg), secreção de citocinas supressoras, expressão de IDO e de moléculas co-estimulatórias. (AU)
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