Resumo
MicroRNAs (miRNA) são RNAs não codificantes (ncRNA) de curta extensão que regulam a tradução de proteínas. Estas moléculas são compostas por cerca de 20 nucleotídeos e quando se alinham com RNAs mensageiros (RNAm) alvos diminuem a tradução por diversos mecanismos. Assim, os miRNAs desempenham importante função na regulação do transcriptoma em diversos tecidos, incluindo o sistema nervoso. Por outro lado, a complexidade do sistema nervoso está relacionada não apenas com a programação e atividade de neurônios individuais, mas com os padrões de comunicação estabelecidos entre estes. Além das conhecidas sinapses químicas, a sinalização no sistema nervoso pode ocorrer pelo acoplamento direto entre células via canais de junção comunicantes (JC). Esses canais permitem a passagem de moléculas de até 1 KDa e são formados por subunidades proteicas denominadas conexinas (Cx). Uma possibilidade ainda pouco explorada de comunicação celular é a troca de material genético entre células. Relatos recentes na literatura descreveram que algumas classes de ncRNAs poderiam mediar esta comunicação, como RNA circulares (cRNA) e miRNAs, moléculas que poderiam ser transferidas por exossomos, ou mesmo via plasma, líquido cefalorraquidiano ou colostro. Outro mecanismo pouco estudado de comunicação no sistema nervoso seria a passagem de miRNAs por JCs. Neste contexto, estamos interessados em determinar aspectos relacionados com a biologia de miRNAs no desenvolvimento, adaptação e degeneração do sistema nervoso, incluindo i) regulação de miRNAs específicos; ii) controle da síntese e estabilidade/degradação de ncRNAs; iii) possível regulação do transcriptoma pela migração intercelular destas moléculas. Utilizaremos técnicas de biologia molecular e celular, combinadas com injeções intracelulares e registros eletrofisiológicos. Este Projeto conta com o apoio da Dra. Jean X. Jiang (Harvard University / University of Texas Health Science Center), Dr. Thomas De Marse e Dra. Brandi Ormerod (University of Florida at Gainesville), Sten Rüdiger (Humboldt University) e de grupos sediados na Universidade de São Paulo, UFMG e INPE, além de pós-doutorandos, e alunos de pós-graduação e graduação engajados com a presente proposta. Finalmente, é importante ressaltar que o apoio dado a este projeto atenderá diversos grupos de pesquisa de nossa instituição, uma vez que os laboratórios de pesquisa da UFABC são instalações multiusuários. (AU)
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