Resumo
A reativação da Plataforma Brasileira durante o Mesozoico influenciou fortemente a configuração geológica do sul e sudeste do Brasil, resultando na abertura do Atlântico Sul e na geração das bacias marginais que hospedam importantes volumes de depósitos de hidrocarbonetos.Uma das maiores manifestações desta reativação é o expressivo magmatismo de idade cretácea, registrado tanto nas bacias marginais como no continente, onde se expõem a segunda maior província basáltica continental em área do Planeta Terra (a Província Magmática Paraná), e uma das mais expressivas e diversificadas manifestações alcalinas conhecidas, margeando toda a Província, à qual se associam importantes depósitos minerais. Rochas vulcânicas silícicas (dacitos-riolitos) associadas, ainda que subordinadas volumetricamente, têm características singulares, que despertam o interesse da comunidade internacional, especialmente quanto a seus estilos eruptivos.Este projeto aprofunda a experiência acumulada nos últimos cinco anos, em que alguns dos grupos de pesquisa mais ativos no estudo do magmatismo Mesozoico do S-SE do Brasil, sediados em diversas Universidades e Institutos de Pesquisa, vêm trabalhando em associação para integrar estudos petrológicos, vulcanológicos e geocronológicos sobre a Província. São propostos dois focos principais, fortemente interligados. No estudo do vulcanismo, os principais objetivos são o estabelecimento de uma coluna estratigráfica integrada para toda a Província (com o reconhecimento de unidades estratigráficas formais), a determinação precisa da idade e duração do vulcanismo (através de geocronologia de alta precisão, pelos métodos U-Pb TIMS e Ar-Ar, e paleomagnetismo), a identificação dos estilos eruptivos do magmatismo silícico e basáltico (combinando levantamentos estruturais de campo e petrologia experimental) e a avaliação dos eventuais impactos ambientais (acrescentando aos estudos anteriores o estudo quantitativo do conteúdo e emissões de voláteis). No estudo do plutonismo associado, será enfatizada a petrogênese do magmatismo alcalino e toleítico, com a identificação das fontes mantélicas e sua zonalidade regional, e caracterização e quantificação dos processos de evolução crustal em sistemas fechados e abertos, e será refinada a geocronologia do magmatismo alcalino, que se estendeu por um período muito superior ao magmatismo toleítico, trazendo assim informação fundamental sobre eventos anteriores, contemporâneos e posteriores à abertura do Atlântico sul. (AU)
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