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A modulação dos comportamentos associados à ansiedade induzidos por estresse: a sinalização dos glicocorticoides na hiperexcitabilidade neuronal e na disfunção mitocondrial do complexo basolateral da amígdala

Resumo

Transtornos emocionais relacionados a sintomas de ansiedade são comuns dentre os relatados na clínica psiquiátrica e ganham importância em trabalhos científicos devotados ao estresse. Além dos sintomas persistentes de ansiedade, o prejuízo no processo de extinção do medo aprendido está em estrita associação com os sintomas apresentados por pacientes com o transtorno de estresse pós-traumático, uma das mais debilitantes patologias associadas ao estresse. A amígdala, mais precisamente o complexo basolateral (BLA), é uma estrutura encefálica essencial para manifestações comportamentais de caráter emocional, incluindo medo e ansiedade. Nos últimos anos, uma série de estudos vem sugerindo um papel mais amplo para a mitocôndria além daquele relacionado à produção de energia na célula. Desta maneira, esta organela está deixando de ser associada apenas ao controle do metabolismo energético e vem ganhando protagonismo em funções como homeostasia cerebral, neuroplasticidade e na adaptação ao estresse. Apesar dos avanços, estudos apontam para a necessidade de compreender a relação entre estresse, hiperexcitabilidade dos neurônios do BLA, e, agora, a função mitocondrial, com o aparecimento de transtornos de humor associados ao estresse, como a ansiedade e o déficit de extinção da memória aversiva. Desta forma, considerando o papel dos glicocorticoides na resposta de estresse e seus efeitos rápidos e duradouros (plásticos) no sistema nervoso central, o estudo destes mecanismos mostra-se particularmente relevante para o entendimento de patologias relacionadas ao medo e à ansiedade. Com base no exposto, os objetivos desse projeto são 1) modular, por meio de vetores virais, a excitabilidade neuronal no BLA associada (HSV-GRE-Sk2) ou não (SK2-HSV) ao aumento da atividade genômica do receptores de glicocorticoides para verificar se tanto a ansiedade quanto o déficit de extinção da memória de medo tardios desencadeados por estresse agudo são dependentes desses eventos e se os mesmos modificam a intercomunicação com outras estruturas igualmente importantes para os fenômenos comportamentais, como o córtex pré-frontal medial e o hipocampo; 2) entender se há alguma alteração na função mitocondrial das células do BLA cuja atividade eletrofisiológica foi modificada pelo estresse e 3) se a modulação da função mitocondrial dos neurônios do BLA modifica o curso das respostas comportamentais associadas ao estresse. Acreditamos que este projeto avança grandemente no entendimento de transtornos associados ao estresse, podendo oferecer substratos estruturais e moleculares como alvos terapêuticos e mais ainda, a identificação de biomarcadores que ajudariam a prever os prognósticos de desses males, como por exemplo, o transtorno de estresse pós-traumático. (AU)

Publicações científicas
(Referências obtidas automaticamente do Web of Science e do SciELO, por meio da informação sobre o financiamento pela FAPESP e o número do processo correspondente, incluída na publicação pelos autores)
NOVAES, LEONARDO SANTANA; BUENO-DE-CAMARGO, LETICIA MORAIS; MUNHOZ, CAROLINA DEMARCHI. Environmental enrichment prevents the late effect of acute stress-induced fear extinction deficit: the role of hippocampal AMPA-GluA1 phosphorylation. TRANSLATIONAL PSYCHIATRY, v. 11, n. 1 JAN 5 2021. Citações Web of Science: 0.

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