Resumo
O presente projeto tem como proposta identificar as taxas de prevalência de transtornos psiquiátricos, avaliar o grau de incapacidade associada a eles, estudar a sua história natural e determinar possíveis fatores associados, na população residente na região metropolitana de São Paulo. É a extensão de um estudo realizado na área de captação do Hospital das Clínicas da FMUSP (dois bairros da zona oeste da cidade de São Paulo) e visa sanar algumas lacunas existentes em nosso meio, em relação a informações sobre o grau de sobrecarga social, econômica e familiar associadas a esses transtornos. O principal objetivo é fornecer subsídios ao estabelecimento de novas estratégias de prevenção e tratamento, bem como direcionar a elaboração de políticas de saúde mais adequadas à realidade da região e auxiliar no planejamento de serviços de saúde que atendam à demanda da população. É parte de um estudo que vem sendo realizado em vários países, coordenado pela Organização Mundial de Saúde, o World Mental Health Survey, que contará com um banco de dados de mais de 170 mil entrevistas, o que permitirá comparações transculturais entre sociedades com diferentes níveis de desenvolvimento. Segue a tendência dos estudos atuais de morbidade psiquiátrica na população geral: identificar as possíveis causas, conseqüências, estratégias para a prevenção e populações específicas em risco a determinados transtornos, além de direcionar a atenção à saúde em função da demanda conhecida. A relevância desse empreendimento pode ser enfatizada a partir de recentes publicações de organismos internacionais. No estudo The Global Burden of Disease, realizado pela Organização Mundial de Saúde e por pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard (WHO; Ed. Murray & Lopez, 1996), foi demonstrado que os transtornos mentais e o uso de álcool e outras substâncias estão entre as principais causas de sobrecarga global, medida através do número anos vividos com incapacitações e número de anos perdidos por morte prematura como conseqüência da doença. No Brasil, existem poucos dados disponíveis acerca dos custos diretos e indiretos dos transtornos mentais o que dificulta a alocação planejada dos recursos direcionados as serviços de saúde mental. Serão entrevistados 5500 indivíduos com 18 anos ou mais de idade, residentes na região metropolitana de São Paulo. O instrumento utilizado foi desenvolvido pela OMS para o estudo mundial a partir do CIDI (Composite International Diagnostic Interview), numa versão ampliada e expandida. Essa entrevista diagnóstica será suplementada por módulos para avaliação de comorbidades com doenças físicas, uso de serviços e tratamentos, níveis de incapacitação resultante de doença física e/ou mental, e fatores de risco para transtornos mentais. É o primeiro estudo a ser realizado em toda a Região Metropolitana de São Paulo, em uma amostra probabilística da população geral domiciliada, com posterior avaliação clínica de uma sub-amostra. A análise dos dados obtidos facilitará o planejamento das reformas na assistência psiquiátrica e permitirá a proposição de novas hipóteses acerca da etiologia e determinantes destes transtornos. (AU)
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