Resumo
A questão relativa às relações entre emoções e a ocorrência de doenças tem intrigado tanto a cultura popular como a científico/acadêmica. Nunca teve a ciência ao seu dispor um arsenal de técnicas, de aparelhagem e de conhecimentos tão relevantes para os estudos desta área de conhecimento como nos dias de hoje. O aumento dos conhecimentos sobre imunologia e sobre neurologia tem possibilitado a descoberta de receptores para uma série de neurotransmissores em células do sistema imune (SI), bem como a presença destes mesmos neurotransmissores em órgãos linfóides. Evidencias in vitro e in vivo têm reportado que o estresse, a ansiedade e substâncias químicas de ação central como, por exemplo os benzodiazepínicos e o haloperidol, interferem com a atividade do SI muito provavelmente em função da ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) e/ou do sistema nervoso autônomo simpático (SNAS). Sabe-se que respostas imunes alteraram o funcionamento do sistema nervoso central (SNC) e, também que interleucinas, como a IL-1 e a IL-6 induzem alterações comportamentais. Em nossos laboratórios, temos feito uma abordagem racional das questões ligadas às relações do estresse/ansiedade com o aparecimento e susceptibilidade dos organismos às doenças. Temos analisado, também os efeitos imunológicos de fármacos que atuam no SNC e as alterações de comportamento que acompanham processos de natureza infecciosa ou imunológica. O presente Projeto Temático pretende dar continuidade a esta linha de pesquisa. Especificamente, pretendemos avaliar através de 19 projetos de pesquisa objetos de bolsas de iniciação científica, mestrado ou doutorado: (1) os efeitos do estresse aplicado pré-natalmente ou na fase adulta sobre parâmetros imune/inflamatórios; (2) os efeitos de fármacos (benzodiazepínicos, haloperidol, imipramina, picrotoxina, cihalotrina, e MDMA (exctase) e extrato de Chlorela vulgaris, sobre parâmetros imune/inflamatórios; (3) os efeitos neurocomportamentais e neuroquímicos induzidos por LPS, IL-1ß e TNF-a; (4) as alterações comportamentais e neuroquímicas induzidas imunologicamente; (5) os efeitos da administração de LPS sobre as relações de dominância em camundongos; (6) os efeitos da substância P e de antiinflamatórios sobre o comportamento doentio induzido por LPS; (7) a influência de hormônios sexuais femininos sobre a resposta imune/inflamatória. (AU)
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