Resumo
Os metabólitos do acido araquidônico (AA) são produzidos por diferentes células em resposta a diversos estímulos. O AA liberado pode ser metabolizado pelas enzimas cicloxigenases 1 e 2 (COX-1 e COX2) ou ainda por uma das várias lipoxigenases (LO), entre elas a 5-lipoxigenase (5-LO), originando prostaglandinas e leucotrienos respectivamente. As PGs induzem dor, vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, febre e regulam a produção de citocinas e o processo inflamatório. Por outro lado, algumas citocinas podem regular a produção das PGs, o que aumenta a importância de se estudar a interrelação entre estes mediadores e as citocinas, que participam das respostas imunes inata e adquirida. Os leucotrienos induzem recrutamento de leucócitos, extravasamento de plasma, secreção de muco, relaxamento vascular, vasoconstrição e broncoconstrição em diferentes processos inflamatórios, infecciosos ou alérgicos. Além disso, os leucotrienos têm importante papel modulador na síntese e liberação de citocinas que participam das respostas imune inata e adquirida, da ativação celular e/ou produção de anticorpos. Também estes mediadores lipídicos modulam a fagocitose de microrganismos por células do sistema imune. Em trabalhos anteriores de mostramos que leucotrienos participam da eosinofilia sistêmica em resposta à infestação pelo Toxocara canis, mas que não modulam a expressão de algumas moléculas de adesão (trabalho em preparação); do recrutamento de leucócitos em resposta à inoculação intraperitoneal. de Histoplasma capsulatum (Br. J. Pharmacol., 1999); do recrutamento de leucócitos em resposta à inoculação de veneno da vespa Polybia paulista (trabalho em preparação). Dando continuidade à investigação sobre a participação dos leucotrienos em diferentes processos inflamatórios, estudamos a participação destes mediadores na infecção pulmonar induzida pelo H. capsulatum e obtivemos dados inéditos e extremamente relevantes. Observamos que a inibição da liberação de leucotrienos resulta em morte de 100% dos animais infectados com H. capsulatum e que este fato parece estar relacionado com a intensa reação inflamatória dos pulmões e com a proliferação acentuada do fungo. Ainda neste trabalho, demonstramos que os leucotrienos regularem a liberação de citocinas como IL-1, IL-6, KC e TNFcx e de algumas quimiocinas como MCP-1, RANTES, MIP-1_, MIP-2, IP-10 e MCP-1. Além disso, demonstramos que leucotrienos são essenciais para a liberação de citocinas da resposta imune, como IL-2, IL-12, IFNy, e também do óxido nítrico. (Manuscritos em preparação). Com o intuito de ampliarmos os estudos sobre papel imuno regulador dos metabólitos do AA, temos como objetivos neste projeto temático investigar a participação dos leucotrienos e/ou das prostaglandinas (I) na proteção induzida por um exoantígeno de H. capsulatum; (ÍI) na infecção pelo Strongyloides venezuelensis; (iii) na liberação de citocinas e produção de imunoglobulinas na toxocaríase; (iv) na infecção pelo Mycobacterium tuberculosis; (v) na tolerância oral. Estes estudos serão realizados empregando inibidores da síntese destes mediadores, como MK886 e Indometacina, e animais deficientes das enzimas responsáveis pela síntese de leucotrienos ou prostaglandinas (5LO-KO e COX¬KO). Devido aos efeitos restauradores e farmacológicos dos metabólitos do AA descritos por outros e por nós, temos também como objetivo investigar o uso dos mesmos como adjuvantes e imunomoduladores no tratamento de diferentes doenças infecciosas. Até o presente não existem na literatura relatos de experimentos onde os leucotrienos e prostaglandinas foram administrados in vivo, com estes objetivos Isto deve-se ao fato destes mediadores serem muito instáveis, além de insolúveis em água. Neste projeto temos também como objetivo o desenvolvimento de formulação com microesferas e nanopartículas, contendo leucotrienos e/ou prostaglandinas para serem administradas in vivo. Microesferas são partículas poliméricas constituídas de um sistema matricial no qual a substância a ser encapsulada está dissolvida ou dispersa. Estas preparações têm como vantagens o favorecimento da interação com células do sistema mononuclear fagocítico e a utilização de quantidade reduzida dos compostos. Além disso, dependendo do tamanho, estas partículas podem ser administradas por via parenteral ou por inalação, favorecendo seu uso in vivo. Esta é uma proposta inovadora que além de contribuir para o entendimento do papel imunomodulador destes mediadores nos processos infecciosos, poderá também contribuir para o desenvolvimento de tecnologia que permita o emprego de leucotrienos e protaglandinas para o tratamento das infecções e parasitoses. (AU)
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