Resumo
A neuroinflamação é um processo comum a diversas doenças crônicas degenerativas, como a Doença de Alzheimer e Parkinson. Peptídeos bioativos derivados de proteínas alimentares tem sido estudado como importantes agentes anti-inflamatórios naturais, como uma alternativa mais segura a efeitos colaterais induzido por anti-inflamatórios sintéticos. As células gliais são as principais células imunes do sistema nervoso central. Apesar disso, poucos estudos avaliam os potenciais efeitos dos peptídeos bioativos sobre a neuroinflamação nestas células. Este projeto se propõe a implementar um laboratório de cultivo celular no Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) visando o desenvolvimento de pesquisas que utilizem a cultura celular como modelo biológico de estudo. Como objetivos específicos pretende-se estudar a obtenção, caracterização e mecanismos de internalização de peptídeos bioativos derivados do soro do leite com capacidade anti-inflamatória em células gliais. A obtenção dos peptídeos do soro do leite se dará a partir da hidrólise com pepsina e pancreatina seguindo o protocolo da Infogest. Frações peptídicas serão obtidas a partir da ultrafiltragem e a fração menor de 5 kDa, será isolada por RP-HPLC. Os isolados peptídicos (IP) serão avaliados quanto a sua estrutura por espetroscopia de massa, biodisponibilidade em células Caco-2, e quanto a sua bioatividade em linhagem de astrócitos e microglia. Os IP serão testados quanto a atividade anti-inflamatória em células estimuladas com LPS. Será testado a expressão de GFAP, Iba-1, TLR-4 e Cox-2 por imunoblotting, secreção de TNF±, IL-1² por ELISA e a ativação da via NFkB por imunocitoquímica. Os IP com maior bioatividade serão analisados in sílico sobre a interação com marcadores inflamatórios. Os de maior interação serão sintetizados e, com parceria internacional, pretende-se estudar os mecanismos de internalização do peptídeo escolhido por microscopia confocal. Espera-se com este projeto a formação de uma nova linha de pesquisa no ITAL com a utilização de cultura de células, possibilitando estudos de maior impacto científico e permitindo a formação de recursos humanos com projetos multidisciplinares. Além disso, este estudo pretende contribuir para a formação de novas substâncias terapêuticas de origem alimentar com capacidade anti-inflamatória em doenças crônicas degenerativas. (AU)
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