Resumo
As toxinas de peçonhas são de grande interesse científico, não apenas para o estudo de processos fisiopatológicos nos quais elas estão envolvidas, mas principalmente devido à sua possível utilização para fins terapêuticos, i.e., como fármacos e/ou como modelo estrutural para o desenvolvimento de drogas, que possam ser empregados para o tratamento de doenças humanas. Considerando as semelhanças bioquímicas e estruturais observadas entre a crotamina, que é uma toxina de cascavel, e os peptídeos célula penetrantes (CPPs), geralmente derivados de proteínas de vírus, o nosso grupo acabou demonstrando que a crotamina também é capaz de penetrar células, com especial especificidade pelas células proliferativamente ativas, tanto in vitro como in vivo, e que é uma característica única e inexistente para quase todos os CPPs conhecidos. Além disto, demonstramos ainda que a crotamina é capaz de transportar material genético para dentro das células, e esta especificidade pelas células proliferativamente ativas é mantida para os complexos formados pela crotamina. Mais recentemente, demonstramos ainda que a atividade citotóxica da crotamina é também seletiva para as células com alta taxa de divisão celular, e esta afinidade pelo tecido tumoral, assim como a sua capacidade de inibir o crescimento tumoral, foram ambos comprovados in vivo. Portanto, o uso comercial e industrial deste composto foi protegido pelo pedido de patente INPI No. 05/01037-3 e PCT/BR2006/000052. O potencial de aplicação deste peptídeo como vetor de transfecção de células de mamíferos foi licenciado e está sendo explorado em conjunto com a empresa Celtic Biotech. Entretanto, apesar do potencial de emprego da crotamina nativa, as limitações legais de obtenção e purificação desta toxina a partir de serpentes, ainda representa um obstáculo importante para o seu uso comercial, especialmente aqui no Brasil. O que nos estimula a propor aqui a realização de estudos que possibilitem avaliar a viabilidade de utilização dos análogos sintéticos e/ou recombinantes da crotamina, e ainda, investir na obtenção da fragmentos peptídicos que preservem as propriedades da crotamina nativa, como fontes alternativas para este composto, a ser potencialmente utilizado no mercado como antimicrobiano, antitumoral ou como vetor de transporte de genes visando terapia ou manipulação gênica in vitro e/ou in vivo. (AU)
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USO DA CROTAMINA PARA A MODULAÇÃO DO METABOLISMO E CONTROLE DE GANHO DE PESO ANIMAL BR 10 2017 000977 7 - Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) . Mirian Akemi Furuie Hayashi; Joana D´Arc Campeiro; Marcelo Paradiso Marinovic; Marcelo Alves Da Silva Mori - 01 de janeiro de 2017