Resumo
As toxinas de veneno são um material de grande interesse científico, principalmente devido à sua possível utilização para fins terapêuticos, i.e., como fármacos e/ou como modelo estrutural para o desenvolvimento de drogas que possam ser empregadas para o tratamento de doenças humanas e/ou para fins de aplicação biotecnológica. A crotamina, que é uma das toxinas mais abundantes da peçonha de cascavel, é capaz de penetrar células, além de transportar moléculas de DNA para dentro de células com especial especificidade por células em proliferação. A importância dos proteoglicanos nestes processos e na atividade citotóxica seletiva da crotamina foi demonstrada pelo grupo. O estudo de viabilidade na utilização dos análogos sintéticos e/ou modificados da crotamina natural, e ainda, a expressão da crotamina na forma recombinante ou sintética como fontes alternativas de obtenção deste composto, sugeriu que a purificação da crotamina nativa da peçonha coletada de cascavéis mantidas em cativeiro, ainda seria o mais viável do ponto de vista econômico. Portanto, graças ao acordo firmado com a empresa internacional Celtics Biotech (Irlanda), e por meio de contrato de licenciamento mediado pelo Instituto Butantan e assinado pelo Secretário de Saúde do Estado de SP em 2015, estamos trabalhando juntos no desenvolvimento conjunto de um plano para o emprego como teranóstico da crotamina nativa obtida em condições GMP com vistas para uso em humanos, e com a participação da Emory University (EUA) e QIMR Berghofer Medical Research Institute (Australia). Novas vias de administração da crotamina, novas formulações (nanopartículas) e também possíveis efeitos adversos serão analisados no presente estudo. (AU)
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