Resumo
O envolvimento da leptina sobre diversas células do sistema imune tem sido demonstrado nos últimos anos em vários modelos experimentais de inflamação. Entretanto, o papel da leptina na resposta inflamatória pulmonar, em especial sua ação na expressão das moléculas de adesão e, por conseguinte, na transmigração leucocitária é pouco conhecida. Em estudos anteriores, observamos que animais desnutridos intrauterinamente apresentaram redução da resposta inflamatória aguda associada à redução da expressão de ICAM-1; neste mesmo modelo de desnutrição também observamos baixos níveis de leptina. Baseados nestes fatos, acreditamos que a leptina seja responsável pela reduzida migração de leucócitos e linfócitos após estímulo inflamatório, provavelmente devido à menor expressão de moléculas de adesão, como a ICAM-1, e/ou sua ação sobre populações linfocitárias infiltrantes. Para isso, animais selvagens e deficientes para o gene da leptina (ob/ob) e para o receptor da leptina (db/db) serão submetidos a um modelo crônico de inflamação alérgica pulmonar e também a um modelo de inflamação pulmonar aguda induzida por LPS. A participação de diferentes populações de linfócitos, em especial as células NKT, a produção de citocinas Th1/Th2, bem como a produção de muco e colágeno no tecido pulmonar serão investigados. Para demonstrar o papel fundamental da leptina nestes processos, animais ob/ob serão transplantados com gordura de animais controles selvagens antes de serem submetidos ao processo de inflamação pulmonar. Os mesmos parâmetros serão analisados. Além disso, ratos Wistar nutridos e desnutridos intra-uterinamente serão submetidos a adrenalectomia e receberão reposição de glicocorticóides em níveis fisiológicos para caracterizarmos a interação entre os hormônios leptina e glicocorticóides anteriormente relatados por nós e avaliarmos o estado funcional de seus respectivos receptores. Para aprofundamento dos mecanismos envolvidos, células endoteliais pulmonares de animais selvagens serão isoladas e estimuladas (ou não) com TNF-a, na presença ou não de leptina recombinante, para se avaliar os seguintes parâmetros: a) Expressão de moléculas de adesão (P-selectina, E-selectina, ICAM-1 e VCAM-1); b) Expressão das enzimas 5-lipoxigenase e ciclooxigenase; c) Produção de mediadores inflamatórios como óxido nítrico, prostaglandina E2 e leucotrienos; e d) Estudos de transmigração leucocitária. Uma vez tendo se demonstrado a participação da leptina nestes processos, nós identificaremos as principais vias de sinalização envolvidas. Para se comprovar a real participação da leptina, células endoteliais pulmonares de animais db/db serão usadas como controles. A compreensão do papel da leptina na resposta inflamatória poderá ser de grande importância no desenvolvimento de novas terapias para o tratamento de doenças inflamatórias e auto-imunes. (AU)
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