Resumo
Uma quantidade considerável de informações vem se acumulando ao longo das últimas décadas sobre a Anatomia, Fisiologia e Farmacologia de áreas ou sistemas de projeção no SNC, que quando estimuladas elétrica ou quimicamente resulta em alterações comportamentais e fisiológicas indicativas de estados de agonia ou desprazer expresso por indicadores do sistema nervoso, tentativas de fuga, manifestações de medo e comportamento agressivo. Acredita-se que os sítios cerebrais que medeiam tais alterações comportamentais integram informações de natureza aversiva em reações comportamentais e emocionais adaptativas, incluindo o medo e a ansiedade. O hipotálamo medial, a amígdala e a substância cinzenta periaquedutal dorsal (dPAG) têm sido tradicionalmente agrupadas como sendo parte de um "sistema cerebral aversivo". Recentemente, uma faixa contínua de estruturas mesencefálicas composta pelos colículos superior e inferior têm também sido propostas como parte deste sistema. Neste projeto, focalizaremos os substratos neurais do comportamento defensivo no teto mesencefálico (dPAG, colículos superiores e inferiores) e sua relevância para a compreensão de medo e da ansiedade. Esta associação entre o comportamento defensivo, medo e ansiedade é consistente com vários estudos comportamentais, eletrofisiológicos e imunohistoquímicos que mostram expressiva ativação destas regiões por situações ameaçadoras. A substância cinzenta periaquedutal dorsal participa da expressão de várias funções cerebrais de relevância, como o processamento e modulação da dor, vocalização, regulação autonômica, medo e ansiedade. Evidências obtidas neste e outros laboratórios sugerem que neurônios do colículo inferior funcionam como filtros para sons que requeiram uma ação imediata, tais como certos sons emitidos por presas, predadores e conspecíficos. A estimulação do teto mesencefálico pode representar um modelo animal para estas situações, uma vez que um aumento gradual na intensidade da estimulação elétrica de estruturas do teto mesencefálico produz inicialmente alerta, seguido de congelamento (freezing) e finalmente reações de fuga. Além disso, tem sido mostrado consistentemente que a estimulação elétrica da dPAG e do colículo inferior induz efeitos aversivos na medida que promove comportamentos defensivos, favorece respostas de fuga operante e aprendizagem de respostas emocionais condicionadas. Estudos recentes usando imunorreatividade c-fos têm trazido suporte adicional à noção de que a amígdala, o hipotálamo medial, dPAG e colículos superior e inferior são constituintes de um sistema neuronal que controla o comportamento defensivo no cérebro através da demonstração de que estas áreas são marcadas após a exposição dos animais à estimulação aversiva. Recentes evidências obtidas neste laboratório têm mostrado que os circuitos neurais da dPAG subjacentes ao comportamento de congelamento são inerentes a esta região e não se sobrepõem aos substratos neurais do medo condicionado existentes na sua região ventral. Assim, os substratos neurais do congelamento induzido por estimulação da dPAG podem ser ativados por estímulos que sinalizam o perigo iminente, como ocorre no distúrbio do pânico. Todas as evidências apontam para processos com vários componentes, o que se toma compreensível em vista da complexidade do comportamento defensivo expresso por animais em face de predadores e outros estímulos ameaçadores. Outra condição que tem despertado grande interesse em laboratórios voltados para o estudo da neurobiologia do medo e da ansiedade é a analgesia induzida pelo stress... (AU)
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