Resumo
As doenças que acometem o sistema nervoso central, sejam estas autoimunes, degenerativas ou infecciosas, são complexas e altamente debilitantes. O aumento da expectativa de vida, os maus hábitos alimentares e o sedentarismo, contribuem para o aumento de doenças como Alzheimer, Parkinson e Esclerose Múltipla. Somado a isso, o alastramento de patógenos, principalmente vírus que causam infecções hemorrágicas ou encefalíticas, contribuem ainda mais para a importância das mesmas. Em ambos os contextos, é inquestionável a interação entre o sistema nervoso e o sistema imune. De fato, o campo da neuroimunologia vem evoluindo muito nos últimos anos, trazendo respostas interessantes. Hoje sabemos que doenças como Diabetes ou Colites, assim como a Síndrome Metabólica e a resistência à insulina, presentes na Obesidade, são fenômenos orquestrados por mecanismos neuroimunes. Logo, é bastante evidente a importância dos estudos em neuroimunologia. Estes podem não só trazer informações importantes acerca da fisiopatogenia das doenças estudadas, como alicerçar abordagens mais aplicadas, como terapias ou vacinas. Neste contexto, no presente projeto, objetivamos compreender os mais variados aspectos da fisiopatogenia de doenças neuroinflamatórias utilizando os modelos experimentais de Encefalomielite Experimental Autoimune e da Síndrome Congênita do Zika Vírus. Buscamos entender genes que conferem resistência ou susceptibilidade, tanto a infecção em si, como a Microcefalia, assim como os miRNAs responsáveis pela modulação destes. Objetivamos também compreender os fenômenos celulares e moleculares presentes no sistema nervoso central durante a Síndrome Congênita do ZIKV. Visamos entender como determinadas populações celulares se comportam, sejam estas residentes, como astrócitos e oligodendrócitos, até as infiltrantes do sistema imune, como neutrófilos, macrófagos, linfócitos, dentre muitas outras. Sendo a retina um tecido rico em neurônios, vamos também nos aprofundar nos mecanismos presentes nas lesões oculares de filhotes com lesões por ZIKV. Em colaboração internacional, visamos confirmar a eficácia da vacina de DNA anti-ZIKV no modelo experimental de Síndrome Congênita. Já no contexto não-infecioso, utilizando o modelo de EAE, estudaremos o papel do NMDAR em linfócitos T, objetivando compreender não só o papel do NMDAr na sua maturação, como na sua ativação e na presença na lâmina própria. Propomos também uma abordagem terapêutica para a EAE, utilizando células tronco mesenquimais, e uma plataforma vacinal contra o Zika, utilizando plasmídeo de DNA. Os resultados obtidos podem muito contribuir para uma melhor compreensão da fisiopatogenia das doenças e modelos estudados, como alicerçar estudos aplicados e, assim, tentar reduzir o impacto que essas doenças debilitantes e complexas têm causado na população. (AU)
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