Resumo
A leishmaniose é uma infecção causada por protozoários do gênero Leishmania. Enquanto parasitam os hospedeiros vertebrados, as formas amastigotas ocupam vacúolos parasitóforos de macrófagos. Apesar de ainda pouco se compreender sobre os fatores que garantem a sobrevivência do parasita nestes microambientes, recentemente verificou-se que amastigotas incorporam ácidos graxos eficientemente para utilização na biossíntese de aminoácidos. Logo, é razoável supor a existência de um mecanismo de controle do tráfego de ácidos graxos em macrófagos infectados. Sabe-se que proteínas ligantes de ácidos graxos (FABPs), abundantes no citoplasma de adipócitos e macrófagos, transportam ácidos graxos para diferentes compartimentos celulares e desempenham papel crucial na regulação do metabolismo e resposta inflamatória celular. Estudos recentes mostram que os níveis de transcritos da FABP tipo 4 de macrófagos encontram-se aumentados após infecção com Leishmania. Em linhas gerais, propõe-se determinar neste projeto se diferentes espécies de Leishmania de importância epidemiológica no cenário nacional são capazes de modular a atividade da FABP4 da célula hospedeira, como uma estratégia adaptativa para garantir o acesso a nutrientes e assegurar sua sobrevivência. Ferramentas bioquímicas e moleculares, como silenciamento do gene FABP4 e uso de inibidores específicos, serão associadas à utilização de camundongos transgênicos para caracterização do papel da FABP4 frente às infecções de macrófagos com Leishmania. Futuramente será avaliado o potencial leishmanicida de moléculas capazes de interferir na via de sinalização celular mediada pelas FABPs, com o objetivo de se identificar um potencial candidato a fármaco para o tratamento da leishmaniose. (AU)
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