Resumo
As Leishmanioses são doenças parasitárias negligenciadas com ampla distribuição geográfica no Brasil que têm apresentado número crescente de casos em regiões urbanas nos últimos anos. A situação atual do tratamento das diversas formas clínicas de Leishmaniose representa uma das áreas críticas no manejo dessa parasitose, já que os medicamentos utilizados são de uso parenteral obrigatório, têm alto custo e induzem efeitos colaterais muitas vezes graves. O arsenal terapêutico disponível no Brasil limita-se aos antimoniais pentavalentes, anfotericina B e pentamidina. Nos últimos anos, dois fármacos foram aprovados como alternativas ao tratamento da Leishmaniose Visceral na Ásia: a miltefosina e a paromomicina. Diante deste quadro, propomos avaliar neste projeto a suscetibilidade à paromomicina in vitro de isolados de Leishmania provenientes de pacientes do estado de São Paulo e de cães do município de Embu-Guaçu, assim como sua eficácia in vivo em modelos experimentais de infecção com espécies causadoras de Leishmaniose Tegumentar no Brasil. Propomos ainda caracterizar molecularmente parasitos resistentes à paromomicina selecionados in vitro, objetivando identificar potenciais genes associados à suscetibilidade e resistência à paromomicina. Uma vez identificados, os genes serão validados funcionalmente através de técnicas de manipulação genética do parasito. Este estudo avaliará o potencial de utilização da paromomicina no tratamento das Leishmanioses no Brasil, além de contribuir para uma melhor compreensão do mecanismo de ação e de resistência da paromomicina que são pouco conhecidos, apesar da sua alta eficácia clínica no tratamento da Leishmaniose Visceral. (AU)
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